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"Nas primeiras horas da manhã"

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  Em junho de 2007 eu não estava em uma boa época. Foi quando os sinais da depressão e da síndrome do pânico não puderam mais ser ignorados. E foi também quando escrevi um conto do qual tenho bastante carinho.  Eu sempre gostei de escrever. Quando criança, passava horas criando histórias e personagens. Durante as aulas não fazia outra coisa. Mas não tinha problema, eu continuava tirando boas notas, mesmo perdida em todos os tipos de mundos literários. Eu também lia o tempo todo. Estava sempre com um livro na mão, mesmo ao caminhar na rua. Já quase bati em poste ou em lata de lixo, apesar de normalmente conseguir prestar atenção por onde ía.  Iniciei diversos contos, livros e outras coisas. Mas nunca dei seguimento a nada. Não conseguia. A empolgação que tinha ao iniciar o trabalho desaparecia depois de um tempo e eu começava a achar tudo que havia escrito uma verdadeira droga. O amor que tinha pela minha criação se transformava em decepção. E eu passava a duvidar da minha...

Contagem regressiva - O quarto mês

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 4 meses - Um pouco de sol Rumo aos 4 meses de Cecília. A vida ainda continuava silenciosa, com poucos encontros com pessoas diferentes, mas com saídas diárias mais longas. Tivemos um misto de dias frios (até com um titinho de neve!) e dias quentes.  Pudemos curtir o jardim em que plantamos vegetais e flores todos os anos. O Kimmo trabalhava duro e eu deitada com ela na sombra, com livro e música, com água e mamá. Ele preparou a terra para poder plantar sementes no mês seguinte, quando o solo já permitisse, pois ainda estava muito gelado.  Ela deu sua primeira risada (para a Mummikki, a vovó Tiina). Uma semana mais tarde para o papai. E por fim, semanas mais tarde para mim. Não fiquei chateada, mas me perguntei por que demorou tanto para que eu conseguisse fazê-la sorrir. Já que passávamos tanto tempo juntas. E entendi que a resposta era essa mesma. Passávamos tanto tempo juntas, todos os dias. Ela já me conhecia de tudo, todas as minhas palhaçadas, todas as minhas c...

Contagem regressiva - O terceiro mês

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O terceiro mês - Aniversário da Mamãe e Nimiäiset Após completar dois meses em 12 de abril, seguimos com a jornada do terceiro mês de vida.  Já alerto que este post será mais sobre a mamãe (eu) do que sobre a bebê. O que eu vivi em seu terceiro mês conosco.  Era o mês que imaginávamos receber a vovó Isabel , que estava louquinha para conhecer nossa bebê e aproveitaria para passar meu aniversário por aqui. Sua chegada estava prevista para 18 de abril, dois dias antes do meu aniversário.  Inocentemente, no início de marco eu imaginava que até meados de abril as coisas em relação ao coronavirus teriam melhorado. Que o lockdown inicial realizado de março à começo de abril surtiria grande efeito e alguma medicação efetiva seria desenvolvida (ou adaptada de alguma outra doença) ou até que a doença perderia um pouco a força. O mês anterior, por ainda estarmos no início da maternidade não pensei muito em COVID-19. Acompanhei um pouco, mas foquei mais em estar com a Cecília . Já ...

Dois anos de Finlândia!

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Acordo de madrugada para dar de mamar ao bebê.  Normalmente ela dorme a noite toda, mas não hoje. É como se ela sentisse que o dia hoje é diferente. O dia de hoje é diferente para mim, sua mãe. Mas estamos ligadas. E é como se ela entendesse. Hoje ela se agita, ela não descansa, ela quer conexão. E são 4 da manhã. Meia hora depois estamos ambas novamente dormindo. Mais tarde o dia se inicia. E lavo o rosto pensando que hoje completo 2 anos morando neste país incrível que é a Finlândia. Pensando no quanto minha vida mudou desde que aqui cheguei em 10 de junho de 2018. Quando a KLM perdeu nossas bagagens. Quando os gatos ainda não tinham chegado.  Quando eu me senti tão perdida e tão pequena . Quando eu não sabia falar quase nem "oi" em finlandês.  Eu já sabia que minha vida seria aqui. Mas não fazia idéia dos rumos que ela tomaria.  Minha filha sorri pra mim enquanto brincamos com seu brinquedo de madeira favorito. Ela sorri faceira e vira de bruços. ...

Celebrando 1 ano na Finlândia!!!

Um ano neste país maravilhoso, vivendo uma aventura incrível e totalmente diferente de qualquer coisa que eu poderia imaginar. Um ano que eu desembarquei com praticamente tudo que tinha (após ter conseguido me desfazer da maioria das minhas coisas) e iniciei minha vida com meu futuro marido. Hoje eu penso que queria ter feito uma lista de expectativas na época do embarque, só para reescrevê-la um ano depois. E rir das coisas que eu pensava. Acho que o principal é que por mais que eu soubesse que o idioma era difícil, eu imaginava que já teria feito mais progressos quando completasse um ano aqui. Eu já conhecia muita gente que morava aqui há anos e todos me falavam que demoraria bem mais que um ano. Claro, que dependia muito de mim e de muitos fatores, mas que o aprendizado do idioma não era assim tão rápido. De início fiquei frustrada que quando morei na Holanda como au pair, já estava arranhando holandês nos primeiros meses e aqui no dobro do tempo, ainda parecia não ter saí...

E eu que me achava inteligente...

Uma das coisas mais difíceis quando mudamos de país é lidar com a sensação de impotência para resolver seus próprios problemas.  É aquela sensação de burrice.  De quando nem ligar o chuveiro direito você sabe, de quando você faz algo só para descobrir tempo depois que estava errado ou era o oposto do que deveria fazer. É ter que reaprender a viver. São coisas básicas que a gente nunca dá valor.  Coisas que a gente nunca percebe ou para para pensar que podem ser tão diferentes em outro lugar. Mas são. E algumas vezes são muito diferentes. Foi chegar aqui e não conseguir colocar a máquina de lavar para funcionar, por exemplo. Coloquei todas as roupas, coloquei o sabão em pó e o amaciante (e muito tempo depois descobri estar fazendo até isso errado) e não conseguia fazer a máquina funcionar. Não saia água. Piscava vermelho, verde, amarelo. E nada da água. O registro estava fechado. Procurei pelo registro. quase coloquei o banheiro abaixo procurando. Nada. Não era como no ...

Tchau tchau verão... até o ano que vem?

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Todo mundo me falou que na Finlândia não tinha aquele verão ao qual eu estou acostumada. "Na Finlândia não tem verão!". E eu vim preparada para isso. Cheguei em meados de junho, já imaginando as temperaturas amenas do verão finlandês que estava por vir. E quando cheguei foi assim mesmo.  Temperaturas amenas, um certo ventinho por vezes gelado. Sol e luz praticamente 24 horas por dia. O dia rendia tanto, mas tanto que eu não queria ir dormir. Porque simplesmente a noite não chegava nunca! Acho que era capaz de ficar 40 horas acordada esperando a tal da noite chegar. Já tinha ouvido de amigos que no verão era difícil dormir por dois motivos: o dia render tanto e nunca parecer que chegou ao fim, e  você querer aproveitar o máximo  e fazer mil coisas e nem se dar conta que está na hora de descansar. E a tal claridade "eterna", o dia que não acaba e o sol que parece não se por. Apesar de terem claridade por longos períodos (chegando até a começar a escurecer um...

Mökki - o chalé

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Para celebrar um mês morando na Finlândia , nada como um fim de semana bem tradicional! Para me dar um pouco mais do gostinho do que é fazer parte desta nova cultura. Já há um tempo minha amiga Tarsila me falava do Mökki . Uma espécie de chalé que algumas famílias finlandesas tem no interior e que gostam de passar os fins de semana e feriados. A própria definição de mökki (cottage/chalé) é uma casinha modesta, normalmente no interior em uma área rural ou semi-rural onde a família/amigos se retiram para passar um tempo tranquilo e próximo da natureza. O mökki! O chalé deles fica afastado da cidade ( cidade de Vesilahti) e é cercado por floresta. Descendo a encosta há um lago onde é possível nadar (só precisa de coragem!) ou passear de canoa. Tudo muito bonitinho e bem pensado. Tudo para tornar os dias mais agradáveis e também fáceis por lá.  Chegamos pouco depois do horário do almoço no sábado. E um pouco antes do jogo da Inglaterra e da Suécia pela Copa do Mundo....

Curiosidades da Finlândia

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A Finlândia é um país bem diferente do Brasil. E queria aproveitar o post de hoje apenas para listar algumas curiosidades que notei nestas minhas duas primeiras semanas aqui. É engracado como após um tempo morando no novo país, v ocê se pega sem saber ao certo o que é realmente diferente daquele que era sua casa anteriormente. Senti muito isso quando morei na Holanda e quando retornei de la. Sempre me perguntavam sobre as diferencas e curiosidades e após uns meses no novo país (ou de retorno ao Brasil), eu praticamente "dava branco" . Nao conseguia lembrar das coisas que achava curiosas e interessantes que me tomaram toda a atencao nas primeiras semanas. Entao já resolvi fazer este post logo de início e tentar nao perder esses olhos curiosos e perceptivos. No momento ainda nao tenho julgamento nenhum (e nem procuro ter) de se essas diferencas sao boas ou ruins. Se aprovo ou nao. Sim, algumas coisas já considerei super positivas e gostaria de poder agregar à minha roti...