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Cozinhando na Finlândia

Já vou começar dizendo que sempre detestei cozinhar. As poucas vezes que cozinhava, tudo ficava ruim. E eu ficava irritada. Era mais uma tortura que uma atividade necessária ao dia a dia. E eu era a rainha do comer fora.
Além de não cozinhar bem, não comia bem. Só comia besteira e praticamente cresci assim. Meus pais tinham o péssimo hábito de nos deixar comer uma cumbuquinha de batata frita que já estivesse pronta para matar nossa vontade enquanto o restante da comida não ficasse pronta. Era o suficiente para encher a pança e não aceitar os alimentos mais... difíceis. Como verduras e legumes. Verduras e legumes? Só na sopa. E batidinha, creme! (Ok, eu amo sopa assim até hoje!). De resto, era pão, batata, arroz e feijão e bife.
Morar sozinha não ajudou. Podia viver um tempo de miojo e como cozinhava só para mim não ligava de ficar a comida ruim (e realmente ficava ruim). Até o arroz saía ou cru ou papa ou queimado. Era nuggets, batata frita de forno e arroz. E as vezes uma saladinha par…

E eu que me achava inteligente...

Uma das coisas mais difíceis quando mudamos de país é lidar com a sensação de impotência para resolver seus próprios problemas. É aquela sensação de burrice. De quando nem ligar o chuveiro direito você sabe, de quando você faz algo só para descobrir tempo depois que estava errado ou era o oposto do que deveria fazer. É ter que reaprender a viver.

São coisas básicas que a gente nunca dá valor. Coisas que a gente nunca percebe ou para para pensar que podem ser tão diferentes em outro lugar. Mas são. E algumas vezes são muito diferentes. Foi chegar aqui e não conseguir colocar a máquina de lavar para funcionar, por exemplo. Coloquei todas as roupas, coloquei o sabão em pó e o amaciante (e muito tempo depois descobri estar fazendo até isso errado) e não conseguia fazer a máquina funcionar. Não saia água. Piscava vermelho, verde, amarelo. E nada da água. O registro estava fechado. Procurei pelo registro. quase coloquei o banheiro abaixo procurando. Nada. Não era como no Brasil, aqui era um…

Tchau tchau verão... até o ano que vem?

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Todo mundo me falou que na Finlândia não tinha aquele verão ao qual eu estou acostumada. "Na Finlândia não tem verão!". E eu vim preparada para isso. Cheguei em meados de junho, já imaginando as temperaturas amenas do verão finlandês que estava por vir.

E quando cheguei foi assim mesmo. Temperaturas amenas, um certo ventinho por vezes gelado. Sol e luz praticamente 24 horas por dia. O dia rendia tanto, mas tanto que eu não queria ir dormir. Porque simplesmente a noite não chegava nunca! Acho que era capaz de ficar 40 horas acordada esperando a tal da noite chegar. Já tinha ouvido de amigos que no verão era difícil dormir por dois motivos: o dia render tanto e nunca parecer que chegou ao fim, e você querer aproveitar o máximo e fazer mil coisas e nem se dar conta que está na hora de descansar. E a tal claridade "eterna", o dia que não acaba e o sol que parece não se por. Apesar de terem claridade por longos períodos (chegando até a começar a escurecer um pouquinho a…

Um anjinho chamado Kimi

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21 dias depois de sua chegada na Finlândia, meu gatinho Kimi, faleceu. Quem me conhece bem sabe como o Kimi era uma das luzes da minha vida. Ele entrou quase como quem não quer nada, e mudou tudo que eu pensava, sentia e vivia. Simplesmente minha vida nunca mais foi a mesma depois que ele veio fazer parte de tudo.
Em 2007 eu fazia aulas de alemão na Wizard de Marília, no interior de São Paulo. Havia me tornado amiga do professor e sua mulher e um dia durante uma aula, ele comentou que sua mulher havia achado dois gatinhos machucados na rua. Sozinhos, sofrendo e mal nutridos. Ele comentou que ela os havia levado a uma petshop para serem adotados. Na hora, movida por alguma força maior, eu inexplicavelmente disse " se algum deles não for adotado, eu quero".

Hã? Eu... ter um gato? Eu nunca tinha tido gatos, tínhamos duas cachorrinhas em Santos ( a Chanel e a Sasha, ambas já falecidas) e além de tudo, eu não morava sozinha. Morava com 3 colegas de faculdade numa república. Aquel…

Sobre aprender um novo idioma!

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Cheguei em junho deste ano e estava empolgadíssima para iniciar aulas de finlandês. Sempre adorei estudar idiomas. Desde adolescente. Claro que não tinha nenhuma paciência para estudar... na teoria achava lindo. Livros novos, canetas, caderno, tudo organizado e bonitinho. Na prática assim que a aula (qualquer uma que fosse) começasse, eu já estava criando minhas próprias histórias e textos. Totalmente alheia ao que estivesse acontecendo ao meu redor. Quer dizer, quase totalmente. Conseguia aprender as matérias na escola e tinha muita facilidade. O mesmo valia para idiomas.

Não tive dificuldades em aprender inglês. Mas depois de aprender inglês... e este idioma ser tão bem aceito em tudo que era lugar ao qual eu ía... as coisas complicaram. Morei na Holanda, em dois meses já estava arranhando frases e me comunicando em holandês. Levava meu pequeno Morris à creche e enquanto aguardava o horário de saída (durante alguns meses o local era em outra cidade e não dava para voltar para casa …

Despedida de solteira

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Pá!!!! Um monte de vibrador bem na sua cara! Que é para começar bem o assunto do post de hoje no blog. Minha despedida de solteira! Só pensa que para mim... uma pessoa tímida e que NUNCA na vida tinha entrado em uma sex shop... o que não foi essa surpresa planejada pelas minhas amigas!
Elas me avisaram umas horas antes para me arrumar, que iríamos a uma pizzaria juntas. Só as mulheres. Ok! Eu topo! Chegaram Tarsila e Tati aqui em casa e quando menos espero, um presente! Uma coroinha de princesa "Bride to be" e um sequestro para minha despedida de solteira! Fomos andando até o que eu achei ser a pizzaria. E quando faço menção de entrar...  "Opa, onde você vai? Primeiro aqui. Venha" Oi? Eu? No sex shop? Ahn? Como? Quando? Nããããão!!! Mas vamos lá... é um dia único na minha vida. Minha despedida de solteira. Na Finlândia.
Sim, eu. Casando. Ca-san-do. Nossa! Nem eu acredito. Vamos lá. Entrei pela primeira vez na vida num sex shop. Aquele rubor básico nas bochechas, minha…

Mökki - o chalé

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Para celebrar um mês morando na Finlândia, nada como um fim de semana bem tradicional! Para me dar um pouco mais do gostinho do que é fazer parte desta nova cultura. Já há um tempo minha amiga Tarsila me falava do Mökki. Uma espécie de chalé que algumas famílias finlandesas tem no interior e que gostam de passar os fins de semana e feriados. A própria definição de mökki (cottage/chalé) é uma casinha modesta, normalmente no interior em uma área rural ou semi-rural onde a família/amigos se retiram para passar um tempo tranquilo e próximo da natureza.
O chalé deles fica afastado da cidade ( cidade de Vesilahti) e é cercado por floresta. Descendo a encosta há um lago onde é possível nadar (só precisa de coragem!) ou passear de canoa. Tudo muito bonitinho e bem pensado. Tudo para tornar os dias mais agradáveis e também fáceis por lá.  Chegamos pouco depois do horário do almoço no sábado. E um pouco antes do jogo da Inglaterra e da Suécia pela Copa do Mundo. 

O chalé é todo de madeira e bem qu…