27 de fevereiro de 2017

Em Instrução!

Petrolina
Alguns dias após a formatura, em 27 de setembro de 2016, realizei meu primeiro voo compondo tripulação. Estava finalmente em instrução. Meu voo decolava as 6h10 da manhã de Guarulhos, para Salvador, Recife e por fim, parando em Petrolina. Onde teria meu primeiro pernoite

Para decolar este horário, minha apresentação no aeroporto é uma hora antes. Então acordei super cedo, levei um século para me arrumar e fui para Guarulhos. Minha instrutora era M.A., responsável por me explicar tudo sobre todas as posições que exercemos na aeronave. Era tudo muito novidade, parecia quase outro idioma. Muita coisa para lembrar e realizar ao mesmo tempo. E com agilidade, que obviamente em meu primeiro voo ainda me faltava. 

No primeiro dia de voo, fui na posição de 1R ( 1 Romeu), sentando-me ao lado da instrutora. Eu era responsável pela porta 1R e por auxiliar a chefe de equipe em todo necessário. 

 Após 4 etapas de voo, chegamos em Petrolina pouco antes das 15h (BRT). Estava muito quente e eu bastante cansada, mas quis dar uma volta pelo centrinho para conhecer a primeira cidade em que faria pernoite. Almoçamos num quilo barato e muito gostoso próximo ao hotel e depois fui com um colega fazer uma caminhada e tirar fotos do local. Estava muito quente e tranquilo, poucos carros ou pessoas na ruas. Pude tirar algumas fotos e voltar logo para descansar no hotel. 

O hotel em que ficamos lá é o JB Hotel e eu gostei muito do quarto e da localização. Pedi um creme de palmito de jantar (estava muito gostoso) e logo tentei dormir. Foi muito difícil conseguir pegar no sono. É uma mistura de ansiedade, de energia acumulada e cansaço mas que a mente não parava de funcionar para relaxar um pouco. Mas como estava muito cansada do dia todo, descansei.

Tinha calculado que demorari mais de uma hora para me arrumar, então como saíriamos de madrugada de lá, acordei mais de 2 horas antes. Mas não calculei uma coisa muito simples! Diferente da experiência do dia anterior, em que tive que pegar transporte até Guarulhos (e isso toma tempo!), lá no hotel... eu já estava onde me encontraria com a tripulação. Então acabei ficando pronta mais de 2 horas antes de ter de me apresentar... e não havia mais como dormir (de coque e toda arrumada, né?)  Bom, vivendo e aprendendo (acho que é meu lema na aviação!). 

O café da manhã da madrugada é algo mais simples, mas que sempre tento comer, mesmo sem fome. Nossos voos são intensos e cansativos e tomar um bom café é muito importante. Mas a verdade é que nem sempre consigo, mas tento.

O voo de volta fui de 4C (4 Charlie), que é o comissário responsável por ficar no meio da cabine de passageiros recepcionando a todos por lá e auxiliando com assentos e bagagens. Nossas aeronaves (A318,A319 e A320) tem saídas de emergência sobre as asas e existem fileiras de assentos de passageiros junto a essas saídas. Então, uma das tarefas do 4 Charlie é realizar um briefing com os passageiros sentados junto às janelas da saída de emergência sobre sua responsabilidade e outras coisas mais. Para mim, fazer este briefing a primeira vez foi torturante. Tive muita vergonha, minha voz tremia e tudo que eu falava parecia bem decorado, nada natural. Um dos passageiros me perguntou "É seu primeiro dia?". Daí já dá para perceber como foi o dia!

Cheguei em casa cansada, mas ainda cheia de adrenalina e querendo contar tudo para toda minha família. Acho que até os gatos ouviram histórias. Aconteceram coisas engraçadas... como por exemplo, no segundo dia de voo, levamos uma excursão de uns 30 adolescentes de 11 a 14 anos. Todos muito animados, não paravam quietos. Eu estava sozinha na galley traseira quando um dos meninos veio me pedir um copo d'água. Prontamente fui serví-lo. Ele soltou um pum (beeem fedido) e foi embora. Deixou lá o cheiro comigo!!!

O dia seguinte fiz um bate e volta para Fortaleza com outro instrutor, E.V. Desta vez, fui como Galley, a comissária responsável pela "cozinha" do avião. Fiquei responsável por receber a comissaria (o catering), guardar os itens nos locais corretos, montar o trolley de bebidas, aquecer os sanduíches e posteriormente colocá-los nas gavetas para serem servidos. Nesta posição, fazemos também o inventário de itens de serviço na aeronave e deixamos a comanda com estas informações para a próxima tripulação (que a utilizará para informar à comissaria/catering tudo que precisa que eles abasteçam). No começo (OK, até mesmo depois de um tempo), achei tudo isso meio confuso. Ficava bastante perdida, tentando ser ágil.

Adorei! Ambos meus instrutores eram muito bons, sabendo inspirar e ensinar ao mesmo tempo. Também foram pacientes comigo, e imagino que isso tenha ajudado muito a me deixar mais calma. 

E foi então que as verdadeiras aventuras começaram.



 


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13 de fevereiro de 2017

Formatura!

22 de setembro de 2016! São Paulo. Um dia de sol e muita animação. Era engraçado pensar que teríamos uma formatura, com celebração, discursos, música, fotos no telão e comidas e bebidas. Haviam sido apenas 2 meses de treinamento. Intenso, claro. 

Durante todo o treinamento achei a ideia de ter uma formatura da turma de comissários muito estranha. Quase boba. Mas mais ao final do treinamento e nos dias que antecederam a data, comecei a entender o que realmente está formatura queria dizer. Eu agora era Avianca, a formatura embebia minha pele e mente na empresa e agora, eu realmente me sentia Avianca. Fazia parte. E não apenas era uma funcionária a mais. Me receberam com festa, carinho, alegria e celebração. Meu coração virou vermelhor de vez! 

Eu podia convidar uma pessoa para estar comigo neste dia. Logo de cara convidei meu namorado, pois além de ser mega importante para mim sua presenção, não queria escolher entre pai e mãe. Então lembrei que seria numa quinta-feira... o que o impossibilitaria de ir. E também impossibilitaria que meu pai pudesse ir se eu o convidasse. Então, a festa teve a presença da minha Mamessinas. E a alegria dela quando soube que poderia me ver de uniforme e participar dessa conquista foi incrível. 


No telão, imagens da turma e da nossa jornada foram exibidas. Discursos lindos feitos com carinho, e cantamos duas músicas que representavam nossa turma. Tinha comida, champagne e bebidas. Tudo delicioso e extremamente chique. Tudo também nos tons de vermelho da empresa, até nos detalhes. 


Eu estava muito feliz. Sentia-me realizada, ser comissária de bordo era algo com o qual eu sonhava há algum tempo. Esse dia marcou o começo da jornada, quando eu realmente iria ver se aquilo que eu acreditava "que nasci pra isso" era mesmo verdade. Agora tudo parecia possível. 

Ganhei um brinco da Pandora da minha mãe pela ocasião. Algo delicado, com uma pedra vermelha ao centro, bem no padrão da empresa. Nem imaginava que iria ganhar um presente. Em praticamente todos os meus voos, uso meu brinco. Meu presente especial.


Viviane e eu

Chegamos ao hotel bem cedo, tínhamos que ensaiar as musicas que criamos para apresentar durante o evento. E iriamos nos arrumarmos no hotel. O evento foi no hotel Excelsior, na República em São Paulo. Nossa formatura foi junto com a turma 34 (Base São Paulo), ao todos éramos 51 formandos (30 na minha turma e 21 na deles). 

Não preciso dizer que o sentimento de estar lá e viver isso foi incrível, e eu posso dizer que aproveitei bastante  e curti ao lado de cada um dos meus colegas. E da minha Mamessinas. E agora... que venha a aventura mais maluca da minha vida (até agora!)... voar!

Ao final do post, vocês encontram um vídeo da nossa música :))) Que eu ainda canto até hoje!

Nós e nossas mães


Todo mundo feliz!

A turma 35 toda!

Camila Esteves e eu
Meu certificado
A felicidade pura!









As duas turmas! 





Delícia!



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9 de dezembro de 2016

Provas, nervosismo e check!

BUma parte muito importante do treinamento para a Avianca foram as provas. Desde as primeiras disciplinas, tivemos provas com nota mínima pra aprovação e intensas horas de estudo. Eram provas quase todos os dias ( ok quaaaase). E muita cobrança. Eu já me cobro demais por natureza, quero sempre fazer o melhor e nunca consigo. Então, especialmente nos primeiros dias, eu vivia tensa.

Era acordar às 5h30, demorar um século para fazer um coque e maquiagem e caminhar para encontrar meus colegas. Toda prova que iria ter me dava um frio na barriga absurdo. Eu, que antigamente era a tranquilidade em pessoa ao fazer qualquer prova. 

Tudo em preparação para a grande prova final, o famoso "check". Após todo o treinamento, temos uma avaliação oral no ambiente de trabalho ( aeronave) onde um checador credenciado pela ANAC nos faz perguntas diversas sobre tudo que aprendemos. Neste momento, temos liberdade de mostrar todo nosso conhecimento. Sinceramente apesar de estressante toda a preparação para este check, foi muitissimo mais válido que uma prova.

De início parecia que eu teria que decorar tudo, sem entender as coisas, e isso me irritava um pouco. Mas quanto mais eu estudava, mais as coisas faziam sentido, e o conteúdo deixou de ser uma "decoreba". Para memorizar e organizar as ideias, eu gravei a mim mesma explicando todos os tópicos e assuntos de cada disciplina. E depois ouvia minha gravação e se necessário, corrigia a mim mesma (com uma nova gravação). Também serviu para eu identificar em quais tópicos eu tinha mais confiança e falava com firmeza e assertividade. E em quais eu precisava focar pois ainda estava insegura e demonstrava isso em minha voz.

Apesar do nervosismo, quando chegou a data do meu check, sentia-me disposta e animada. E sabia o conteúdo! E agora tenho comigo os áudios gravados para sempre que quiser checar meu conhecimento :) Valeu a pena!
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6 de dezembro de 2016

Quando que vai cair a ficha?

Ok. Muitos já devem ter lido sobre meu novo emprego, toda minha alegria e tudo que tem Eu realmente sou hoje uma comissária de bordo. Eu!
acontecido. Mas ainda não caiu a minha ficha.

Foi tanto tempo sonhando com isso que hoje ainda não parece real. Pode parecer idiota, mas ainda não parece que eu realmente cheguei até aqui. Se há tão pouco tempo ( agora parece que passou voando!) eu estava em uma sala de aula no curso pensando se talvez algum dia isso viria a acontecer. E não é fácil. Muitas vezes, em momentos de insegurança, eu pensava "mas tem tanta gente tentando. Tanta gente boa... porque eu, Justo eu, vou conseguir?" E logo pensava que alguém tem que conseguir. E porque não... eu? Chega a ser engraçado, essa dualidade de pensamentos. O tempo todo.

E é verdade que ainda, quando coloco o uniforme, sinto algo crescer dentro de mim que me dá forças para vencer as barreiras que podem aparecer. E aí eu viro comissária. Uma amiga comentou comigo há algumas semanas que era ainda estranho estar trabalhando no avião e chegar o pessoal de terra e dizer a ela "oi comissária". Ela comentou que por duas vezes olhou ao redor para ver se era realmente com ela que estavam falando. As vezes eu me sinto assim.

Adoro estar lá na porta do avião, recebendo os passageiros com um sorriso no rosto. Cada "bom dia" e cada sorriso fala por mim "Oi, eu serei sua comissária hoje! Eu sou comissária. Estou aqui pra te atender". 

Dia 3 de dezembro completei 4 meses de Avianca. E em 27 de novembro completei 2 meses voando. Passou rápido. E ainda vem muito mais por aí!


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6 de novembro de 2016

Em treinamento!

Dia 3 de agosto tudo começou. Neste dia iniciei meu treinamento de comissária de voo da Avianca. Os quase dois meses mais loucos, corridos e dedicados da minha vida. Éramos 30 colegas de turma, 20 para Base Rio de Janeiro e 10 para a Base Salvador.

Eu não frequentava aulas e uma sala de aula desde que havia concluído o curso de comissária, em agosto 2015. Estava empolgada e nervosa. Mesmo sendo Base RJ, o treinamento se deu ( para minha grande sorte) em São Paulo. Cheguei bem cedo no primeiro dia (como sempre) e reencontrei alguns colegas da seleção. Foi legal vê-los por lá, saber que tínhamos sido aprovados, que tínhamos passado por todo esse processo juntos. 

Mas, ao contrário do que eu esperava de mim mesma, estava muito tímida. Tímida para fazer amigos, para me soltar e interagir. Procurei logo um lugar na primeira/segunda fileira do canto e falei com algumas pessoas ao redor. Com a chegada dos instrutores do dia, e a necessidade de nos apresentarmos a todos... veio um certo medinho.

 Não entendi minha própria reação. Sempre fui tão extrovertida, sorridente; e senti um ardor nas bochechas enquanto pensava em como me dirigir a dois meus novos colegas. Essa parte não foi fácil para mim. Foi algo completamente novo que reconheci em meu perfil, mas gosto de falar e acho que sei me expressar e apesar do medo, me saí bem.


Éramos os mais diversos perfis. Altos, baixos, magros ou não, loiros, morenos, sem experiência na aviação, ou com muita experiência . Todos com muita vontade, um enorme carisma e querendo fazer a diferença pela companhia. Todos animados, nervosos, sorrindo até as orelhas! Desde o mais jovem, aos 19 anos, à mais velha do grupo, com 38; éramos todos novatos em Avianca. Todos animados para exercer essa profissão que escolhemos com tanto amor. 


O treinamento em si, as matérias, as provas e a cobrança foi realmente duro. Acordava todo dia antes das 5h30 da manhã para me preparar e retornava cansada mental e fisicamente quase as 19h, pensando em jantar e querendo estudar enquanto cozinhava (ok.. cozinhei bem pouco estes tempos. Não tinha ânimo pra isso... comia besteira que era mais fácil). Pensava toda noite antes de dormir que todo esse esforço valia a pena. Que tudo que eu estava sentindo, que toda essa loucura e estudos serviriam para que eu conseguisse ir além. O curso de comissária que fiz, apesar de ter me preparado, era muito diferente de tudo que estava vivendo agora. Agora a intensidade foi totalmente outra, a motivação também. Eu já estava dentro, só tinha que me manter por aqui. 

Fazer por merecer ter sido contratada.

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