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"Nas primeiras horas da manhã"

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  Em junho de 2007 eu não estava em uma boa época. Foi quando os sinais da depressão e da síndrome do pânico não puderam mais ser ignorados. E foi também quando escrevi um conto do qual tenho bastante carinho.  Eu sempre gostei de escrever. Quando criança, passava horas criando histórias e personagens. Durante as aulas não fazia outra coisa. Mas não tinha problema, eu continuava tirando boas notas, mesmo perdida em todos os tipos de mundos literários. Eu também lia o tempo todo. Estava sempre com um livro na mão, mesmo ao caminhar na rua. Já quase bati em poste ou em lata de lixo, apesar de normalmente conseguir prestar atenção por onde ía.  Iniciei diversos contos, livros e outras coisas. Mas nunca dei seguimento a nada. Não conseguia. A empolgação que tinha ao iniciar o trabalho desaparecia depois de um tempo e eu começava a achar tudo que havia escrito uma verdadeira droga. O amor que tinha pela minha criação se transformava em decepção. E eu passava a duvidar da minha...

Nascida em 10 de novembro de 1931

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  Não era esse post que estava planejado para ser publicado hoje. Não era esse post que eu gostaria que marcasse a minha continuação ao blog pós contagem regressiva. Mas hoje ele se fez necessário. Minha avó Cecília era para mim uma grande inspiração. Era mais que avó, era amiga, conselheira, confidente. E faz um ano e meio desde a última vez que eu a vi, prometendo que voltaria no ano seguinte. Para que ela (e todos) conhecesse a bisneta. Mas o ano seguinte foi 2020, o ano inicial da pandemia, e nenhuma viagem nos foi possível. Mas "era só um ano", perante aos muitos que teríamos pela frente. Era só um ano de um grande sacrifício que nos manteria saudáveis e nos possibilitaria muitos abraços no futuro.  Ela não faleceu de COVID-19. Ela faleceu de um mal súbito que a acometeu certeira e rapidamente no dia de ontem, 6 de março de 2021. E como falou uma de minhas primas, foi como um sopro. E ela se foi.   Este post é sobre estar longe. Sobre morar no exterior e não poder...

Contagem regressiva - O décimo primeiro mês!

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 O décimo primeiro mês - Natal e Ano novo O décimo primeiro mês iniciou com o retorno da vovó Bebel ao Brasil. Como o último mês havia sido tão diferente, a rotina da Cecília estava uma confusão. Voltamos com a rotina anterior e ela não gostou nenhum pouco da mudança. As noites voltaram a ficar difíceis e longas, mas eu estava numa animação só para o Natal.  Nem precisa de crianca em casa para eu (e o Kimmo) ficarmos animados. O clima natalino, as músicas que colocamos todas as noites de dezembro para nos prepararmos, as idas e vindas de lojas para escolhermos presentes, o glögi com donut (munkki) na feirinha de natal de Tampere... tudo incrível. Mas claro que em ano de pandemia tudo foi diferente. As compras foram quase todas feitas online. O glögi e o munkki foram em casa. Passeamos rapidinho na feirinha, de máscaras e em horários vazios, mas não conseguimos aproveitar muito e fomos embora. Deu para comprar uns presentinhos.  Sei que ela ainda não entende o que é essa é...

Contagem regressiva - O oitavo mês

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 O oitavo mês - Independência O maior marco deste mês deu-se poucos dias após a entrada no oitavo mês de vida da Cecília (logo após completar 7 meses). Após uns probleminhas para escolher e montar a cama da Cecília, seu quarto ficou pronto (quase pronto, na verdade). Mas o principal, a caminha estava lá! À espera do bebê.  Além da caixa Maternidade , que serviu como um bercinho logo no início, a Cecília nunca teve berço. Ela dormia conosco na cama, em um "ninho redutor" que havíamos ganhado. De início entre a parede e eu, e mais tarde em nosso meio. Lá pelo seu sexto e sétimo meses de vida, ela passou a se mexer demais, a querer mamar o tempo todo, a se arrastar pra cima da gente. Quase tudo isso dormindo!  Nem eu nem meu marido conseguíamos dormir. Ficávamos super preocupados que ela nos escalasse e não percebêssemos. Que caísse da cama. Eu ficava sempre de olho nela, minhas noites começaram a ser ainda mais picadas que antes e ela pedia para mamar o tempo todo. Também ...

Contagem regressiva - O sexto mês

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  Sexto mês - Exames e novas experiências O dia já está quase chegando ao fim e eu estou aqui, na frente do computador pensando no que escrever sobre o sexto mês de vida da Cecília. Sobre meu sexto mês de maternidade. Parece que a cada post eu me cobro mais de escrever algo bonito, algo sincero para o qual eu possa olhar com carinho no futuro.  Mas toda essa coleção de lembranças (pois é isso que este blog é) é um recorte de alguns momentos vividos. Um recorte pessoal. Seja para apenas relatar acontecimentos ou para refletir e filosofar sobre a vida e o que eu aprendo com ela.  Desde o início da vida, a Cecília já havia tirado sangue e feito exames inúmeras vezes. Ainda no hospital devido ao peso baixo em seu nascimento (2 kg, nascida a termo) e para sabermos se ela tinha herdado "cardiomiopatia hipertrófica" do papai. Ainda no hospital, as enfermeiras tiraram sangue de uma veia na cabeça (algo que eu nunca tinha nem visto), pois disseram que em bebês assim tão pequen...

Contagem regressiva - O quinto mês

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O quinto mês - O verão e a questão da amementação Em 12 de junho Cecília completou 4 meses e iniciamos seu quinto mês de vida. E meu quinto mês descobrindo a maternidade. Foi uma delícia poder ver a Cecília desfilar por aí com seus vestidinhos e fraldinhas coloridas. Aproveitamos muito para curtir picnics e foi a primeira vez que ela pode finalmente conhecer outros bebês e interagir. Não que realmente houvesse muita interação entre eles , mas eu podia sentir a curiosidade em relação ao outro bebê.  Percebo agora que continuar a escrever esta série de lembrança é mais desafiador do que eu havia esperado . Não apenas pela assiduidade necessária (promessa de um post por dia), mas por todo o conteúdo, todas as experiências vívidas. Além de olhar para bons momentos, me perder nas fotos e na gostosura da pequena, é mergulhar em sentimentos as vezes confusos e as vezes negativos.  Eu sempre desejei tudo natural. E queria muito amamentar, criar essa conexão com a minha filha. O iníc...