17 de fevereiro de 2011

Uma esmeralda bacharel!

Terça-feira passada sentada no banco da rodoviária de Santos ao lado do Felipe, o guitarrista de posts passados, esperando o ônibus para Marília, a cidade onde estudei por 4 anos, quando cursava Relações Internacionais.

Aproveitei que o dia seguinte seria feriado em Santos pelo aniversário da cidade e portanto, outros locais estariam funcionando como num dia de semana normal, o que me permitiria ir para Marília ver em que passo estava minha documentação sem que precisasse faltar no serviço. A viagem parecia bem longa, e eu estava anciosa por mostrar a ele tudo que eu já conhecia, o que havia vivido anos antes. Chegamos bem cedinho, pouco após as 6hs da manhã, e mesmo assim nosso amigo China, o Vanderlei, foi nos buscar.

Pudemos descansar um pouco e logo partimos juntos para a Unesp, onde eu havia cursado Relações Internacionais durante 4 anos. Engraçado como tudo parecia o mesmo, a mesma vibração, as mesmas pessoas e aquelas que eu não conhecia portando-se da mesma forma. Logicamente era época de férias e poucas pessoas perambulavam pelos corredores abertos e ventilados da faculdade. Dirigi-me à Graduação afim de perguntar o que faltava para que eu pudesse concluir o curso.
Seu Gerson, muito simpático, respondeu a todas as minhas perguntas e me alertou :
-Aqui consta que a matéria X não foi concluída.
Gelei!!!! Como assim a matéria não foi concluída???
Eu cursei todas as matérias, fiz todas as provas!!! Respirei fundo:
- Você lembra o professor que deu esta matéria?
-Ah, lembro sim... - Felipe já havia notado como eu estava pálida,
imaginando que em meados de janeiro, professores em férias, longe, em suas casas
normalmente em cidades distantes!!! E agora???


Por um acaso do destino, o professor da matéria X era o único de meu curso presente naquele momento na faculdade. estava aplicando um concurso e me avisou que só estaria disponível a tarde. Voltamos para falar com o Gerson, que me avisou então que ao receber a nota do professor eu deveria correr para alugar uma Beca e comprar um Canudo e poderia colar grau dois dias depois, com todos os alunos e toda a formalidade normal a uma formanda! A tarde, retornamos e esperamos no calor de Marília pelo Professor, que apareceu e confirmou minha nota, também sem saber porque ela não havia entrado no sistema.

Corremos! Corremos e corremos para o centro da cidade para alugar a beca! Fila imensa na loja de aluguel de roupas e tira medida daqui e dali, eu teria uma beca! E também um canudo! UFA! Podemos voltar para casa do Vanderlei e respirar um pouco!A noite fomos comer pizza e mostrar ao Felipe os locais mais quentes da cidade... o que não era dificil, porque com aquele caloooor, qualquer lugar já seria quente!!! Hehehehe

E naquela mesma noite ele retornou a Santos... mas não sem antes descobrirmos que as passagens para Santos estavam esgotadas, e que então ele deveria ir por São Paulo, pegar metro e mais um onibus a Santos...
Mais dois dias em Marília e chega a sexta-feira, dia da colação de grau. Minha mãe já havia chegado para passar o dia comigo, descansara pouco e logo estavamos conversando sobre o que isso significaria na minha vida. A Gilda, mulher do Vanderlei, estava tão animada quanto nós duas e pouco antes das 18hs eu já estava pronta... a Beca era larga, grande... e eu a coloquei e tirei diversas vezes antes de coloca-la decentemente num cabide e partir com minha mãe e o Vanderlei (a Gilda ficara cuidando do filho deles, o Ian) para o local da colação.
Logicamente todos do meu curso de Relações Internacionais estavam vestido com uma beca diferente, mais bonita, menos gigante, mas eu não me senti mal! Não era propriamente a minha turma, eu sou da 2* turma formada em Marília, com eles estudei e convivi, mas como não havia apresentado a monografia, só pude colar grau mesmo com a 4*turma formada no curso. Alguns de meus colegas ainda se lembravam de mim e enquanto eu me preparava, fiquei feliz em rever dois colegas de turma mesmo, que estavam na mesma situação que eu: O Sérgio e o Viccenzo.

Curioso que nós três estavamos normais, roupas normais por baixo da beca, sem muita arrumação enquanto todos os outros formandos estavam impecáveis, bonitos, arrumados até os minimos detalhes. Nossa época mesmo já havia passado, estavamos apenas cumprindo a formalidade. Desfilamos pelo tapete (sem escorregar) e chegamos ás nossas cadeiras, e ao meu lado, a garota com quem eu me dei melhor da 4* turma, a Nagy, quem eu mais conhecia. A colação fora beeem longa e incrivelmente conheci uma moça a minha frente, a Japa Loka, que havia morado na Bélgica e falava... holandês!!! Delirei e conversamos muuuuito em holandês no meio da colação.

Foi divertido... foi estranho também. Receber a benção academica e o certificado de conclusão de curso. Acho que uma parte de mim achou que nunca terminaria isso, e talvez uma outra parte de mim não quisesse mesmo terminar... afinal, sair da faculdade, procurar emprego, ter responsabilidades , tudo isso assusta um pouco demais. E eu sempre sonhando em continuar os estudos, fazer pós-graduação, mestrado... e sem fechar este capítulo de minha vida, nunca poderia. Mas acho que me formei na época certa, amadureci o suficiente nesses dois anos e posso agora ter orgulho de ter me formado no curso em que me formei, ter desenvolvido algumas idéias para meu futuro e ainda ter as possibilidades apresentadas a uma recém-formada.
Isso tudo só pode me deixar feliz. E vejo que em minhas buscas pelas esmeraldas do mundo, posso achar uma brilhando em mim, pequena, crescendo... mas ainda sim, há em mim uma esmeralda.
[Continue reading...]
Designed By Yasmin Mello | 365 dias