23 de setembro de 2012

Há mais uma estrela no céu...

Outro dia postei um apelo a todos meus amigos no facebook. Que tirassem um momento para orar pelo namorado de uma grande amiga, que havia sofrido um grave acidente de moto. Meu apelo era internacional, para que todos compreendessem e pensassem por um instante sequer na família do garoto, que mandassem a eles paz, força e energias positivas.No dia seguinte, ele faleceu.

Eu não o conhecia. Era apenas amiga de sua namorada. E talvez seja por isso que eu tenha me abalado tanto. Há pouco mais de 9 anos estive no lugar dela. E desde que soube do acidente deste rapaz, meu estômago encolheu lembrando de meu próprio sofrimento. Do dia em que recebi a notícia... do dia em que não pude dizer adeus.

Na semana passada, o flashback me levou a desejar amparar minha amiga ao máximo. Fui até o hospital abraçá-la, escutei, não falei nada e depois falei e segurei suas mãos, que tremiam tanto. Pensava no sofrimento, na perda, no "não saber se vai ficar bom", na esperança e nos Deuses.

Por que minha amiga também tinha de passar por isso? Por que outra família tinha de perder seu filho tão jovem, de mandeira tão brusca? Pensei neles... e nos meus pais chineses (os pais do meu namorado de que falei acima). Em como todo dia, meu objetivo de vida para acordar e levantar da cama era correr da escola para encontrá-los, confortá-los, ser forte por eles. Parecia que só assim eu teria força para não sucumbir. Porque eu precisava ampará-los... precisava ser forte por eles. E ao olhar hoje para minha amiga, senti em seus olhos a mesma motivação, a mesma força. É a maneira que encontrou de aguentar, como eu há tanto tempo.

Amor é assim...
No dia do velório fui abraçá-la novamente, no mesmo local em que me abraçaram anos atrás... e ver outros pais chorando ao lado de um caixão com muitas flores em volta. Fiquei firme. Por eles. Logo meu Renato teria mais um amigo a lhe fazer companhia... e também aproveitei para subir ao andar onde está meu Renato, descansando. Quando já estava sozinha, no elevador e depois no corredor que me levaria  ele , eu já chorava horrores. Sentei-me em frente ao local em que ele foi colocado 9 anos antes e chorei de saudades, chorei de raiva, chorei de tudo. Disse que gostaria de ser uma pessoa da qual ele teria orgulho, de ser uma mulher de sucesso que ele teria orgulho de ter conhecido e amado. E que não sei se isso realmente verdade.

Então veio uma ventania horrível, mas que logo parou e eu olhei para frente como se pudesse sentí-lo. Havia tempos que não sentia isso, mas era como se ele estivesse dizendo algo, que eu não entendia, mas que sabia que era alguma coisa... e eu comecei a rir. Comecei a sorrir e rir e toda minha tristeza, tudo passou. Foi estranho, e ao mesmo tempo foi muito bom. Eu posso quase dizer que sabia que ele estava ali, me dando toda força que podia. Tive a certeza de que ele realmente estava comigo, por mais que eu não pudesse vê-lo ou escutá-lo.

Respirei fundo e voltei para minha amiga. Foi até difícil, pois eu estava sorrindo e não seria educado voltar a uma despedida com um sorriso sincero no rosto... acho que não entenderiam. Mas eu falei com ela...
"Você vai ficar bem... não será rápido nem fácil, mas você vai ficar bem."

"É, tenho certeza. Você ficou, né? Minha amiga." - ela me respondeu e eu quase chorei. E é verdade... eu fiquei realmente.
 
E pelo visto, sempre que eu não estiver bem, vai passar um vento forte e ele logo vai segurar a minha mão e me ajudar a me erguer. Pois não estou sozinha. E nem mais minha amiga está.


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11 de setembro de 2012

Lembrando de Iris!

E estou eu a ler novamente. Sempre que acabo um livro logo já começo outro. Quase que sem nem parar para respirar. E sempre é uma aventura incrível. Mesmo que eu não tenha curtido a leitura, sempre aprendo alguma coisa... nem que seja a nunca mais pegar nada daquele autor novamente! Mas já tenho certeza de que não será essa a minha conclusão após ler "Simplesmente fui ver" da jornalista e autora Cíntia Magalhães. (Para comprar o livro, escrevam para a Cíntia: cintia@simplesmentefuiver.com.br )
 
Eu e os dois mais novos
Fico cada vez mais surpresa com as atitudes pa pequena Sofie, a menina de quem a Cíntia cuidou quando foi au pair na Bélgica. São gritos, birras e muito, mas muito choro. Lembrou-me um pouquinho de meu primeiro mês com minhas crianças na Holanda.
 
Como a maioria de vocês já sabe, na Holanda eu fui au pair de 3 crianças; que tinham 8, 6 e 3 anos de idade. Tinhamos nossos momentos e as vezes eu ficava brava e/ou cansada. Mas como já comentei aqui, me descobri muito firme.
 
Claro que o começo não foi nada fácil. Eu podia sentí-los me testando... para ver até onde eu cederia. Queriam desesperadamente saber se eu seria fácil de dobrar! Mas eu não sou. Nunca fui. Mas para eles realmente entenderem isso não foi tão simples.
 
Iris, a menina mais velha, era muito parecida comigo quando criança. Hiperativa, animada e desafiadora. E tinha AADD e dislexia! Era a cereja do meu bolo! E durante quase um mês ela me testava desde o primeiro segundo em que eu a buscava na escola. E assim passávamos a tarde toda. Os dois mais novos, Iris e suas amigas e eu, cansada, desolada. Parecia impossível dar atenção aos menores (e para eles eu também estava em fase de teste!), quando tinha que ficar atenta a tudo que minha menina mais velha fazia.
 

Tentando me jogar na piscina

 Na primeira semana por mais de um vez ela mentiu para mim, dizendo que havia tomado seus remédios. Eu ficava tranquila, só para mais tarde descobrir que não era verdade e que justamente o tal remédio era para ajudá-la a se concentrar, se acalmar e nos ouvir. Não preciso nem dizer que até essa descoberta, passei uma semana de cabelo em pé sem entender porque alguns dias ela era praticamente o demônio!
 
O pior de tudo ( e que só eu parecia perceber) era que ela sabia muito bem que quando esquecíamos de dar a ela seu remédio, ela poderia aprontar o que fosse e ninguém a culparia. A culpa de qualquer coisa que ela tivesse feito era da falta do remedinho!!! E para ela essa foi a descoberta do século! Não tomar o remédio significava poder deixar todo mundo louco sem se preocupar com bronca, castigo ou responsabilidade!!! Era tudo que ela queria... E só eu para ir contra a corrente e tentar discipliná-la com ou sem remédio.
 
Passadas as primeiras semanas difíceis( de adaptação entre nós duas), Irisje se tornou minha companheira. Gostava de pentear meus cabelos, me abraçar o mais forte que conseguisse e para o meu desespero (pasmem au pairs deste mundo!) ela queria até me ajudar a passar roupa!
Iris, depois que eu voltei. Moça!!!
 
Mesmo na escola, quando eu ía buscá-la, ela era a mais carinhosa, constrastando com o relacionamento de seus colegas com suas au pairs/babás. Gostava de me chamar para brincar e também de dizer que era eu quem cuidava dela. E o que mais me impressionava, Irisje realmente escutava o que eu dizia (vocês podem conferir aqui ). E em outras ocasiões eu notei que ela até passava adiante o que eu havia ensinado... parecia que eu era mesmo super importante!
 
E eu me sentia realizada! Por isso mesmo sinto muito pelo relacionamento entre a Cíntia e a Sofie. Por mais que meus três (sim, voltarei para falar dos outros dois!) fossem terríveis as vezes, eram também meus amores, meus amigos. E quanto mais eu leio o livro da Cíntia, mais desejo saber se isso tudo era mesmo apenas uma fase da Sofie. Se aos poucos ela conseguiu se abrir de verdade com alguém,  se deixou-se apegar a alguém além de sua família. Se este sentimento forte e tão claro de possesão que ela tinha em relação a tudo evoluiu. Pois eu creio que este era seu jeito de amar... sabendo que as pessoas a sua volta eram dela.
 
Fico curiosa para saber se agora ela cresceu. E como foi que sentiu a falta da Cíntia após seu retorno ao Brasil. Como demonstrou esse sentimento. Não terminei o livro, mas o que eu sinto é que a menininha não lidava bem com sentimentos... e que não sabia muito demonstrá-los. vamos ver se até o fim do relato eu ainda tenho esta opinião!(E claro, eu não a conheci nem nunca a vi para poder falar nada concreto!)  E para os que chegaram aqui agora e se assustaram com o post! Procurem o livro da Cíntia "Simplesmente fui ver", e tirem suas próprias conclusões. Ele é muito mais que o relato de uma au pair, ele é uma viagem pela Europa toda, uma coleção de países e pessoas diferentes e interessantes e uma conversa muito louca com a autora!
 
 
Beijos a todos! Logo logo posts sobre as primeiras semanas e as birras dos outros dois irmãos Nouwens!!! :)
Clique em nós duas!


 
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