27 de julho de 2010

Terug zijn... estar de volta...

Não consigo acreditar... estou de volta ao Brasil... Acho que não sei explicar o que senti nos últimos dias... as despedidas, as criancas... tudo... minha vida!

Irisje, a menina mais velha, me abracava forte todos os dias, pedindo que voltasse para o próximo aniversário dela, pedindo para nos escrevermos sempre, falarmos pelo microfone e webcam, deitando na minha cama para dormir próxima de mim.

Ambas as meninas perguntavam se eu viria para seus aniversários, se escreveria, se mandaria presentes e meu coracão saindo pela boca a cada resposta. O pequenino ainda perguntava se poderiamos fazer picnic no dia seguinte ( que eu já estaria no Brasil) e quando respondi que estaria de volta ao Brasil, ele perguntou " E na próxima semana?"

Uns três dias antes da partida eu já havia perdido a voz e minhas mãos pareciam permanentemente tremulas. Ainda estava trabalhando, buscando as criancas na escola, saindo com eles e no meio tempo tentando organizar minhas bagagens e tentando ver os amigos uma última vez.
Onze meses de roupas, lembrancas, livros, compras e presentes! Onze meses de peso de uma consumista maravilhada por um país antes desconhecido. 32 kg em cada bagagem a ser despachada... e ainda parecia ser pouco. Tantas coisas que eu queria poder levar e mostrar à familia como meu mundo na Holanda era diferente... como tudo parecia tão diferente e distante no comeco. Queria ver como eles iriam rir, fazer piadas, me perguntar sempre as mesmas coisas. Ao mesmo tempo em que sabia que iria sentir saudades, vivia do sentimento de ansiedade por estar quase de volta.

Estava eufórica, sentia-me como uma crianca pouco antes de sua mae arrancar um band-aid de seu ferimento. sabia que iria sentir saudades, que teria mesmo de voltar e ficava pensando... " vamos logo com isso... estou ficando louca " Ao mesmo tempo queria poder ficar para sempre com a família Nouwens e acabar logo de sentir essa ansiedade que tanto baguncava meu coracao e organismo todo.

Nos dias anteriores à viagem de volta, vi meus amigos mais próximos diversas vezes. Revi amigos com os quais achei que havia perdido contato. Pintei até mesmo um quadrinho com a orientacao de uma profissional muito minha amiga. Até mesmo participei de um talk show indonesio... o que acabou sendo uma das mais divertidas experiencias que tive por lá.

Todos os dias minhas duas meninas me acordavam com um presente, um desenho ou beijinhos... Queriam que eu levasse até mesmo seus mais preciosos bichinhos de pelúcia, aqueles que ganharam de alguém ao nascer! Ganhei fotos delas e as vi chorar também, pensando em como seria depois que eu tivesse retornado ao Brasil.

Como a família tinha compromisso na noite anterior à minha partida, saímos para jantar na quarta-feira, dois dias antes da viagem. Fomos ao beach club Wij , o primeiro lugar em que me levaram quando cheguei na Holanda. A tarde estava lindissima... sol, vento e musica boa. era o anúncio de um veräo promissor... e eu rumando ao inverno brasileiro... já pude notar as meninas tristes... e meus hosts também. Acho que nunca fomos tão sinceros uns com os outros... falamos sobre o comeco dificil, o estresse causado, a confusão de sentimentos, os problemas... como superamos tudo e como aprendemos a nos amar de verdade. E da falta que iríamos fazer na vida do outro.

Não acredito que estou de volta... mesmo depois de tanto tempo já aqui. Abracar minhas criancas na praia... recebi o presente mais lindo possível... um quadro dos meus três juntamente com uma pulseira da marca Buddha to Buddha... Atualmente meu tesouro mais precioso...

Após o encontro na praia, eles me deixaram num barzinho onde seria minha festinha de despedida, juntamente com minha amiga Vanessa, da Espanha. Ela já se encontrava lá, voz esganicada, nervosa, pulando... exatamente como eu estaria passados 30 minutos de minha chegada. Alguns de meus amigos também já estavam por lá, e todos queriam me abracar e dizer o quanto sentiriam minha falta... e o melhor de tudo... eu senti a sinceridade em seus olhos em todos os momentos...

Mais amigos comecaram a chegar... E mais abracos, mais despedidas, promessas, lembrancas... E quase todos compareceram!








Dois dias mais tarde, meu despertador tocou incessante e dolorosamente. Era hora de colocar as malas no carro, dar um último adeus à minha casa holandesa.
As criancas não foram à escola para irem comigo e com seus pais ao aeroporto.Iriam para a escola mais tarde... Um dos grandes mistérios das minhas viagens é como conseguimos sempre colocar 4 malas de 32 kg cada uma, 2 malas de mão de 10 kgs cada e mais 7 pessoas em um carro sem mais problemas...

No aeroporto, uma confusão!!! Filas em todos os cantos, pessoas chorando e se despedindo, malas pelo caminho.E após um confusão, quando tivemos que mandar uma das malas via correio ao Brasil, nos encaminhamos ao portão de embarque.
Lágrimas, despedidas, fotos, abracos... e quando cruzei o portão e posicionei-me na fila para mostrar o passaporte, vi o Morris correndo de encontro a faixa que separava-nos , gritava " Nana. Minha Nadja" e logo vieram suas irmãs e seus pais, todos juntos e chorando e eu chorando tanto que mal os via... e minha mãe também.

A viagem de volta foi longa... não achava uma posicão confortável no avião e segurava a foto das criancas nas mãos o todo tempo, chorando...

Este ano no exterior me rendeu as mais lindas esmeraldas, e as três mais preciosas... s\o espero que não me esquecam...
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