23 de outubro de 2012

Um novo intercâmbio...


Mesmo antes de retornar de meu ano no exterior, eu já pensava em minha próxima aventura fora das fronteiras brasileiras. Minha intenção não era voltar e logo ir embora. Eu tinha de me formar primeiro e discutir as possibilidades de intercâmbio com meu namorado, o Guitarrista.

Ele nunca foi muito animado com a idéia de morar fora como eu. E brigamos muitas vezes por causa disso. Eu, toda sonhadora e animada. Ele, sensato e realista. Fomos levando a vida por aqui, passei as oportunidades em frente e brinquei de fazer casinha. Mas nossa vida continuava difícil, o trabalho sem nos dar satisfação profissional e acho que cada vez mais minha busca por isso atingiu o Guitarrista. Agora parecia que ele não mais apenas sonhava com sua aposentadoria, mas que gostaria de desfrutar de uma satisfação em sua carreira também. E por isso eu já sou realizada.

Começamos juntos a buscar possibilidades de intercâmbio. A nos questionar ao que queremos e por que queremos. A rever o que temos aqui e balancear se podemos abrir mão de algumas regalias do Brasil e da vida conjunta.

Acho que algumas perguntas precisam ser respondidas para que possamos escolher o melhor para nós e nosso momento atual. Definir o que buscamos realmente, de que formas e onde podemos encontrar isso, se há possibilidades de fazermos isso juntos, o investimento necessário, se é possível levar nossos filhos (gatos) em algum momento futuro, qual o retorno financeiro/ profissional/ acadêmico esperado e muitas outras perguntas que ainda nem consegui pensar.

Hoje estamos os dois a mil, pesquisando, anotando, procurando depoimentos, agências e países. E juntando dinheiro. Claro. E hoje, com a internet, existem tantas possibilidades legais... Tantas coisas ainda a serem encontradas. Só de pensar nisso já fico animada... Motivada, feliz!

Estudos de idiomas, mestrados, pós-graduação, au pair, trabalho temporário, navios cruzeiros, work & travel, voluntariado... é um mundo a parte! E eu quero ser parte disso... alguma coisa tem que ser para mim!

 
Aqui na minha mina de esmeraldas vou registrar cada passo desta nossa busca. E gostaria que se algum de vocês tem dicas de locais, intercâmbios, agências, contatos... Por favor deixe a sua esmeralda (comentário) aqui. Uma das partes gostosas dessa paso de pesquisa é ir atrás de tudo que me indicam e que eu ouço por aí...

Até breve!!!
[Continue reading...]

17 de outubro de 2012

Fazendo o Match

Foto: Achada no Google
Desde que comecei a fazer freelance para a Huisje Boompje Nanny (ou HBN) falo muito com as futuras au pairs e sempre procuro dar sugestões de como escolher família, de como ela podem se precaver ao máximo e evitar problemas futuros e até meios de lidar com problemas caso eles apareçam.

Percebi que pouco falei do meu processo. Das dificuldades que realmente passei por não ter levado em conta as minhas próprias dicas. Por ter aceitado muitas respostas sem averiguar se minha rotina, meus benefícios seriam mesmo aqueles que foram prometidos. E principalmente por ter feito todas as negociações com um só Host ( o Host Father) e não com os dois como deveria ter sido, já que eu moraria e viveria com os dois.
Encontrei a família pelo Au Pair World, ou APW como a maioria de nós se refere a ele. Na época eu ainda não havia escolhido o país para o qual eu iria e o que exatamente eu esperava do meu ano como au pair. Era novembro de 2007. Eu sempre gostei de bebês e sempre tive facilidade para lidar com crianças pequenas, mas mantive contato com diversas famílias com crianças de todas as idades também. A Família Nouwens era composta pelos país e seus três filhos: Iris, então com 6 anos (na primeira vez que conversamos), Luna, com 4 anos e Morris com 1 aninho. Todos uma graça. Conversamos bastante e eu logo gostei deles. Eu também havia dito que não poderia ir em 2008, que só embarcaria em 2009, então eles arrumaram uma outra au pair para o ano seguinte.
Eu pretendia tirar o ano 2008 para esclarecer todas as dúvidas e descobrir se esta era a família certa para mim. Mas cometi um grande erro, logo de cara falamos em MATCH e mesmo fazendo as perguntas que eu queria e avaliando se seria uma boa decisão da minha parte ser a au pair desta família, eu já não me sentia no direito de dizer a eles que gostaria de conversar com outras famílias. Eu já me sentia mal por até pensar em desfazer o MATCH depois deles terem investido tanto tempo em mim.

Fiz uma lista de perguntas, mas já achava que não haveria nem porque de fazê-las mais, afinal o MATCH eu já tinha. Mas e aí? E a adaptação e conhecer a família e saber se realmente tinhamos um perfil semelhante? Nada disso rolou comigo. O Host Father logo me colocou em contato com suas au pairs, que tinham realmente muitas regalias e uma vida muito divertida na Holanda. E eu estava , logicamente, empolgada. Até presente de aniversário eu recebi pelo correio! Claro... hoje em dia posso perceber as táticas para conquistar uma menina deslumbrada com a possibilidade de ser au pair no exterior e se unir à família perfeita. Mas infelizmente nenhuma família o é.
Respostas que deveriam ter soado um alarme em minha cabeça:

- Eles não tinham uma rotina diária nem schedule. Não sabiam o tanto de horas que eu trabalharia e nem que horas começaria o dia ou o terminaria. Disseram também que eram flexíveis às minhas necessidades e que seria mesmo como uma família...

Não caia nisso! Família sem rotina significa que você não tem horário fixo de trabalho, o que também significa que pode trabalhar a qualquer hora, ou a toda hora!!! Também significa menos delimitação entre o que é seu espaço/tempo privado e o que é destinado ao trabalho. Se você já fica confusa... imagine sua Family... podendo contar com você 24hs por dia, 7 dias por semana...

-Falavam mais sobre o país e sobre o que eu poderia ver do que sobre as crianças. 

Isso já é óbvio. Eu já havia conhecido as kids pela skype, mas pouco sabia sobre seus temperamentos, seus gostos e o que gostavam de fazer. Eu pressionava, mas as respostas eram evasivas. Queria poder me preparar com jogos, brincadeiras e outras coisas para ganhá-los, mas sem o apoio dos pais sobre quem realmente eram as crianças, ficava difícil.

-Umas das kids tomava remédio diário e eu não fui informada.

Também não pensei em perguntar, não imaginava que haveria uma situação assim. Mas havia. Como já comentei, minha menina mais velha tomava um remédio forte e diário e eu nunca havia sido informada de sua importância ou condição. É sim importante perguntar se as crianças tomam remédio ou se tem alguma condição especial de saúde, como asma, dislexia, hiperatividade ou qualquer outra coisa que requeira alguma atenção especial sua.

- A au pair anterior dirigia para todos os cantos e levava as kids de carro aos seus destinos. Meu Host Father havia me dito que eu não precisaria de carro. Como assim???

Quando eu disse que não gostaria de dirigir porque tinha medo, meu Host Father me assegurou que eu não precisaria do carro para nada. Disse que se eu quisesse poderia usá-lo, que ele me encorajaria e que eu iria voltar craque na direção. A verdade era que dirigir era uma condição primordial da Host Mom e meu Host Father falou a ela que eu dirigia e que logo pegaria o jeito da Holanda. Confusão formada!

-A família estava para mudar de casa, o pai iria mudar de emprego em breve e ninguém falou/ pensou nas novas necessidades da família.

Toda mudança gera uma transformação grande em qualquer família. Mesmo que momentâneas, as necessidades daquela família pode mudar e você terá de se adaptar a elas. Meu Host father sempre me contava sobre o que a Au Pair#2 (eu fui a três) fazia, o que precisava fazer e o que se esperava que ela fizesse. E quando eu entrei para a família, tudo estava mudando e as necessidades deles haviam mudado também. Havia agora um pai a menos na casa por alguns dias na semana, o que acarretava mais trabalho para mim e para a Host Mom. Como antes ele trabalhava em casa, ele se dispunha a ficar com as kids para que sua au pair viajasse um dia ou outro a mais e quando eu cheguei isso não seria mais possível.

Mas nada disso me foi dito. A idéia vendida foi a mesma que a vivida pela Au pair#2... mas eu sou uma outra au pair... nova, numa realidade em constante mudança... mudança de cidade, emprego do Host, mudança de escola e acho que eles nem pararam para pensar que o que eles precisavam de uma au pair também mudaria. Então... cabe a você perguntar a eles sobre a rotina e se tem planos para alguma mudança seja ela de ambiente, de escola das kids, de casa, de emprego, divórcio, perda de um familiar ou bichinho de estimação. Tudo influencia!!!

Minha Host Mom era bem mais rígida e por mais que tenhamos nos dado super bem após um tempo, o começo foi sofrido. Para nós duas. Eu me colocava no lugar dela com frequência... após constatarmos o que havia sido prometido a mim e o que era a realidade da família (especialmente o lance de dirigir), a Host; que não queria se envolver no processo de seleção de au pairs; sentia-se num beco sem saída. Ela precisa de uma au pair que cozinhasse bem e dirigisse e além de eu não fazer nenhum dos dois, o marido dela havia combinado comigo que eu não precisaria de nada disso. (E logicamente eu tinha mil e-mails para comprovar).

Ela não queria me mandar embora pois considera que estaria sendo injusta comigo. E brigava sério com o marido, chegando a pensar em divórcio. Era honesta comigo, e creio eu que sentia-se mal por não ter participado dos e-mails, chats e tudo mais que me envolvia, sua futura au pair. Também sei que nem ela imaginava que as coisas mudariam tanto... Acabamos conversando sério, chorando e reesquematizando toda minah rotina.

Incluí onibus, bikes e até aulas de direção (aiii como são caras). Ela me ligava ao sair do trabalho e me orientava ao que poderia fazer de jantar. E eu fazia, quando ela chegava já estava quase pronto e então terminávamos juntas e colocávamos a mesa, normalmente ajudadas por uma das meninas.Passei a ajudar mais no trabalho de casa e também a aprender mais com ela... que teve que ter paciência comigo (uma coisa que ela não queria no começo era ensinar ninguém... mas tentou).

Hoje eu sinto falta dela e creio que ela também deve sentir. Mas também sei hoje que eu seria muito diferente se estivesse lá agora... mais madura, mais preparada (e dirigindo bem e confiante também!!!).

Quando eu voltar... acho que eles nem vão mais me reconhecer ;)
[Continue reading...]

3 de outubro de 2012

A vez da Luna!

Agora que já falei da Iris, minha menina vaidosa e espuleta; chega a vez de contar mais sobre a Luna.
 
Dos três, foi ela quem mais demorei para conquistar. Era a menos carinhosa, a que menos confiava em mim. Mas não pensem que isso signific que Luna era distante, não era. Seus irmãos que eram mais extrovertidos, mais calorosos.
 
Quando cheguei na Holanda, ela tinha 5 para 6 anos. Era muito esperta e um pouco birrenta e como toda irmã do meio, sentia-se por vezes deixada de lado pela mais velha ou muito crescida para brincar com o pequenino Morris. No começo, ela fazia questão de me ajudar a chamar atenção de sua irmã mais velha, dizendo insistentemente que ela precisava me obedecer para que eu não fosse embora (!!!). Seus pais que diziam isso no começo, que se eles não se comportassem eu iria pegar minhas coisas e iria embora. Mesmo ela ainda sendo desconfiada, tinha medo de que eu realmente fosse. Ela não falava muito sobre sentimentos, era carinhosa, mas se mantinha afastada muitas vezes também.




 
Era a mais rechonchudinha dos três, e lhe caía muito bem, aliás. Mas não era tão ativa quanto os outros dois; não gostava de andar, de correr ou muitas atividades que gastassem sua energia. E não fazia amizades com facilidade por ser muito fechada. Eu e minha Host corríamos atrás de pais e mães (e au pairs) para marcarmos playdates para ela e tentávamos ao máximo dar às crianças espaço, coisas legais para fazerem, guloseimas (no horário próprio), tudo para agradar aos amiguinhos da Luna.


Luna também sempre foi muito exigente consigo mesma (Vocês podem conferir aqui), quando falei de seu medo de bicicleta e o comparei ao meu próprio medo de dirigir. Mesmo em seu aniversário, ela quer tudo tão perfeito, tão perfeito, que se não der certo, ela se culpa e chora. Claro... ela é criança, primeiro ela se enrolava em nossa perna e nos culpava por qualquer fracasso que fosse... para depois entender que tudo estava indo bem.


Mais para o fim da minha experiência como au pair, houve um dia que nunca poderei esquecer. Luna sempre foi apaixonada por sua avó Mimi, que também era louca por ela. Cada momento com a avó era único para ela e naquela semana, Mimi tinha passado vários dias conosco. Levou as crianças à escola e sem se despedir, resolveu ir embora para a cidade que morava, na Bélgica. E eu fui buscar as kids, e já ficava imaginando como seria contar à Luna que sua avó tinha ido embora sem se despedir. Imaginei que ela iria brigar comigo, bater e gritar como era seu costume de reclamar. Mas ela simplesmente me abraçou, enterrando seu rosto em mim e chorando copiosamente enquanto me segurava firme. Quase que eu choro junto!

Acho que foi a partir daí que eu notei que ela tinha finalmente me aceitado, finalmente se aberto a mim e que eu a havia conquistado. E acho que começamos a nos dar melhor.
E um tempo antes disso, quando eu levava os três na bakfiets (bicicleta com um espaço grande na frente para as kids se sentarem), e eu comecei a ter um ataque de asma, foi ela quem me defendeu e que controlou a situação até que eu estivesse melhor. Enquanto Irisje se desesperava junto e dizia que iria se atrasar para o hóquei, Luna berrava "Abre os olhos, a Nana não está bem, a gente tem que parar, ficar calma e ajudar a Nana". Aiiiii, que orgulho da minha menina!!!!Pensando em mim!!! Cuidando de mim, e ao meu lado!!!

Beijos a todos!


 
 
[Continue reading...]
Designed By Yasmin Mello | 365 dias