9 de dezembro de 2016

Provas, nervosismo e check!

BUma parte muito importante do treinamento para a Avianca foram as provas. Desde as primeiras disciplinas, tivemos provas com nota mínima pra aprovação e intensas horas de estudo. Eram provas quase todos os dias ( ok quaaaase). E muita cobrança. Eu já me cobro demais por natureza, quero sempre fazer o melhor e nunca consigo. Então, especialmente nos primeiros dias, eu vivia tensa.

Era acordar às 5h30, demorar um século para fazer um coque e maquiagem e caminhar para encontrar meus colegas. Toda prova que iria ter me dava um frio na barriga absurdo. Eu, que antigamente era a tranquilidade em pessoa ao fazer qualquer prova. 

Tudo em preparação para a grande prova final, o famoso "check". Após todo o treinamento, temos uma avaliação oral no ambiente de trabalho ( aeronave) onde um checador credenciado pela ANAC nos faz perguntas diversas sobre tudo que aprendemos. Neste momento, temos liberdade de mostrar todo nosso conhecimento. Sinceramente apesar de estressante toda a preparação para este check, foi muitissimo mais válido que uma prova.

De início parecia que eu teria que decorar tudo, sem entender as coisas, e isso me irritava um pouco. Mas quanto mais eu estudava, mais as coisas faziam sentido, e o conteúdo deixou de ser uma "decoreba". Para memorizar e organizar as ideias, eu gravei a mim mesma explicando todos os tópicos e assuntos de cada disciplina. E depois ouvia minha gravação e se necessário, corrigia a mim mesma (com uma nova gravação). Também serviu para eu identificar em quais tópicos eu tinha mais confiança e falava com firmeza e assertividade. E em quais eu precisava focar pois ainda estava insegura e demonstrava isso em minha voz.

Apesar do nervosismo, quando chegou a data do meu check, sentia-me disposta e animada. E sabia o conteúdo! E agora tenho comigo os áudios gravados para sempre que quiser checar meu conhecimento :) Valeu a pena!
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6 de dezembro de 2016

Quando que vai cair a ficha?

Ok. Muitos já devem ter lido sobre meu novo emprego, toda minha alegria e tudo que tem Eu realmente sou hoje uma comissária de bordo. Eu!
acontecido. Mas ainda não caiu a minha ficha.

Foi tanto tempo sonhando com isso que hoje ainda não parece real. Pode parecer idiota, mas ainda não parece que eu realmente cheguei até aqui. Se há tão pouco tempo ( agora parece que passou voando!) eu estava em uma sala de aula no curso pensando se talvez algum dia isso viria a acontecer. E não é fácil. Muitas vezes, em momentos de insegurança, eu pensava "mas tem tanta gente tentando. Tanta gente boa... porque eu, Justo eu, vou conseguir?" E logo pensava que alguém tem que conseguir. E porque não... eu? Chega a ser engraçado, essa dualidade de pensamentos. O tempo todo.

E é verdade que ainda, quando coloco o uniforme, sinto algo crescer dentro de mim que me dá forças para vencer as barreiras que podem aparecer. E aí eu viro comissária. Uma amiga comentou comigo há algumas semanas que era ainda estranho estar trabalhando no avião e chegar o pessoal de terra e dizer a ela "oi comissária". Ela comentou que por duas vezes olhou ao redor para ver se era realmente com ela que estavam falando. As vezes eu me sinto assim.

Adoro estar lá na porta do avião, recebendo os passageiros com um sorriso no rosto. Cada "bom dia" e cada sorriso fala por mim "Oi, eu serei sua comissária hoje! Eu sou comissária. Estou aqui pra te atender". 

Dia 3 de dezembro completei 4 meses de Avianca. E em 27 de novembro completei 2 meses voando. Passou rápido. E ainda vem muito mais por aí!


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6 de novembro de 2016

Em treinamento!

Dia 3 de agosto tudo começou. Neste dia iniciei meu treinamento de comissária de voo da Avianca. Os quase dois meses mais loucos, corridos e dedicados da minha vida. Éramos 30 colegas de turma, 20 para Base Rio de Janeiro e 10 para a Base Salvador.

Eu não frequentava aulas e uma sala de aula desde que havia concluído o curso de comissária, em agosto 2015. Estava empolgada e nervosa. Mesmo sendo Base RJ, o treinamento se deu ( para minha grande sorte) em São Paulo. Cheguei bem cedo no primeiro dia (como sempre) e reencontrei alguns colegas da seleção. Foi legal vê-los por lá, saber que tínhamos sido aprovados, que tínhamos passado por todo esse processo juntos. 

Mas, ao contrário do que eu esperava de mim mesma, estava muito tímida. Tímida para fazer amigos, para me soltar e interagir. Procurei logo um lugar na primeira/segunda fileira do canto e falei com algumas pessoas ao redor. Com a chegada dos instrutores do dia, e a necessidade de nos apresentarmos a todos... veio um certo medinho.

 Não entendi minha própria reação. Sempre fui tão extrovertida, sorridente; e senti um ardor nas bochechas enquanto pensava em como me dirigir a dois meus novos colegas. Essa parte não foi fácil para mim. Foi algo completamente novo que reconheci em meu perfil, mas gosto de falar e acho que sei me expressar e apesar do medo, me saí bem.


Éramos os mais diversos perfis. Altos, baixos, magros ou não, loiros, morenos, sem experiência na aviação, ou com muita experiência . Todos com muita vontade, um enorme carisma e querendo fazer a diferença pela companhia. Todos animados, nervosos, sorrindo até as orelhas! Desde o mais jovem, aos 19 anos, à mais velha do grupo, com 38; éramos todos novatos em Avianca. Todos animados para exercer essa profissão que escolhemos com tanto amor. 


O treinamento em si, as matérias, as provas e a cobrança foi realmente duro. Acordava todo dia antes das 5h30 da manhã para me preparar e retornava cansada mental e fisicamente quase as 19h, pensando em jantar e querendo estudar enquanto cozinhava (ok.. cozinhei bem pouco estes tempos. Não tinha ânimo pra isso... comia besteira que era mais fácil). Pensava toda noite antes de dormir que todo esse esforço valia a pena. Que tudo que eu estava sentindo, que toda essa loucura e estudos serviriam para que eu conseguisse ir além. O curso de comissária que fiz, apesar de ter me preparado, era muito diferente de tudo que estava vivendo agora. Agora a intensidade foi totalmente outra, a motivação também. Eu já estava dentro, só tinha que me manter por aqui. 

Fazer por merecer ter sido contratada.

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3 de outubro de 2016

O Processo de seleção da Avianca


Olá novamente a todos!

Hoje vou falar de um assunto que pode interessar a vários de vocês e que para mim é também muito especial. Como foi meu processo de seleção na Avianca Brasil. E justamente por isso... quero frisar que o relato a seguir é a minha experiência com este processo. Todo processo seletivo, mesmo que seja para uma mesma empresa, é algo muito pessoal e cada um irá vivenciá-lo de forma diferente
Portanto o que quero compartilhar é o sentimento que eu vivenciei nesse momento. E nunca se esqueça, cada processo é único e os próprios selecionadores renovam seus métodos de avaliação continuamente.

Em maio mais ou menos fiquei sabendo que a Avianca Brasil havia aberto vagas para uma nova turma de comissários em São Paulo. A animação foi instantânea. Num ano em que todas as empresas pareciam mal das pernas e não haviam vagas no mercado, parecia irreal. Eu estava trabalhando dando aula de inglês e quando cheguei em casa, extremamente cansada, vi que era necessário preencher uma prova online de português e inglês. Deixei pra fazer no dia seguinte. Dia seguinte veio e o anúncio da vaga sumiu! Sim, a vaga tinha fechado e eu tinha perdido a oportunidade. Fiquei triste e super decpecionada comigo mesma. A vida é assim, a gente aprende e continua.

Pouco mais de um mês depois, havia uma nova vaga anunciada no site. Vagas para São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Não perdi tempo, me preparei e me candidatei. Fui selecionada. Lembro de quando recebi o e-mail, estava com uma amiga na rua e recebi uma mensagem de uma outra amiga que havia sido selecionada. Eu havia acabado de checar meu e-mail e não tinha nenhuma novidade... entrei novamente, as mãos tremendo e o celular no 3G. Sim, havia um novo e-mail lá pra mim.

Até consegui dormir bem na noite anterior à seleção (apesar de ter acordado algumas vezes) e o nervosismo que estava sentindo no dia anterior passou quando acordei. Eu era outra pessoa e estava pronta para dar o meu melhor. O dia transcorreu sem muitas surpresas, em alguns momentos respirei fundo para seguir em frente, em outros sorri confiante com cada etapa. Lembrod e ter saído de lá muito feliz. E a cada etapa vencida era uma alegria sem tamanho.

Foram quase 4 semanas de processos, testes e afins. Eu vivendo um misto de animação, alegria e também receio. Era algo que eu queria muito e tinha, sim, medo de não conseguir. Duas semanas no processo e recebo a ligação que mudou toda minha expectativa. Eu seria base Rio de Janeiro. Era isso. Não iria continuar em São Paulo. De início foi um choque, não sabia o que sentir e pensar. Como as vagas incluiam São Paulo, eu nem havia cogitado que poderia ser enviada para alguma das outras bases. Por que já havia conhecido aprovados do Brasil todo. Comecei a correr atrás de documentação e local para morar no Rio de Janeiro. Sem saber ainda o que fazer com meu quarto em São Paulo. Foi um pouco estressante, metade de mim não queria aceitar a mudança e a outra metade estava empolgadíssima com o que viria por aí. 

Por fim, tudo deu certo. E para minha sorte o treinamento foi todo realizado em São Paulo, o que me deu mais um tempo próxima da família e dos meus gatos. 

Hoje vejo que ser comissária é mesmo estar preparada pra tudo. Não ter raízes, mesmo que o coração tenha também suas bases. Foi encarar morar no Rio de Janeiro sem saber quando vou retornar e  abrir ainda mais a mente. Especialmente para surpresas, pois elas certamente virão. 

O que me deixava mais aflita dura te todo este percurso inicial, foi que eu estava fazendo um outro processo seletivo ( para atuar na minha área de formação universitária) que estava indo muito mais rápido. Eu quase não dormia aguardando resposta da Avianca, pensando que teria logo que responder à outra empresa. Também parecia um lugar legal para trabalhar, mas não era o que eu realmente queria. Eu queria voar. Tive medo de perder as duas oportunidades, mas pouco antes de ter a certeza de que havia realmente sido aprovada, respirei fundo e recusei a outra proposta. Iria arriscar no meu sonho. Não achava justo deixá-los aguardando enquanto o que eu realmente queria era outro caminho. Então resolvi arriscar e colocar um pouco de fé que eu iria ser aprovada na Avianca. 

Passei por tudo. E foi uma grande experiência. Dei o meu melhor, arrisquei e confiei em mim. Consegui! 


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2 de outubro de 2016

Pronta para voar!


Como começar este post que estava há tanto tempo querendo ser escrito, mas que nunca se materializava? Como começar a falar desta experiência incrível e que ainda mal começou de verdade? Como escrever o que estou sentindo agora? E todos os passos que me levaram até aqui?

Não sei ainda... mas vou dar um jeito. Eu vou voar. Em breve. E o caminho para ganhar minhas asas não foi fácil e nem simples. Desde jovem eu sabia que meu lugar era o mundo e que eu queria conhecer todo meu país. Queria viajar, conhecer culturas e levar sorrisos a todos que encontrasse. Gostava de atender pessoas, fazê-las se sentir bem e ser lembrada pelo bom serviço. Então veio o vestibular e essas características me diziam que eu deveria ser diplomata (entre mil outras coisas que eu me interessava em ser). Fiz Relações Internacionais. Achava que esse era meu caminho. Apesar de ter aproveitado bastante o curso, nunca havia pensado realmente sobre ele e que caminho gostaria de seguir após formada. Sonhava em ser diplomata, mas inúmeras coisas na profissão não eram exatamente o que eu procurava. 

Fui para a Holanda e ao retornar estava convencida de que tinha que entrar numa grande empresa e ganhar dinheiro. Então, fiz pós graduação em Administração de Empresas. Quando conclui o curso, já não estava mais empregada e vivia de uma de minhas grandes paixões. Intercâmbio. Me tornei agente de Au pair na Holanda. Lidava com pessoas o tempo todo ( mesmo que remotamente, pelo computador) e ficava em contato com minha Holanda querida, auxiliando au pairs em seu ano laranja. Isso resumiu meus últimos anos profissionais. Uma rotina flexível e uma pouco confusa, mas bastante confortável e de que gostava muito. Mas ainda não era o suficiente, especialmente financeiramente. Sou dinâmica e quero crescer, conhecer, contribuir.

Mas não me achava. Amo tudo e quero abraçar o mundo com as pernas. Sou extremamente curiosa e por isso, cada nova coisa que conheço, já quero conhecer, estudar, pesquisar. Quem sabe não é meu caminho?

Em 2014, estava assistindo a um epísódio de Air Crash Investigation do NatGeo (Desastres aéreos em português) e falava sobre acidentes em que a ação da tripulação foi a diferença entre a vida e a morte. Que a decisão, procecimentos, firmeza e liderança da tripulação possibilitou com que todos (ou o maior número) de passageiros saísse com vida. Meu coração começou a bater acelerado, meu corpo todo focou em todas as informações. Ser comissário passou, pela primeira vez, a ser mais que delicadeza, elegância e servir. Era agora uma responsabilidade de segurança, era algo que mesmo sabendo... eu nunca tinha parado pra pensar. Meses mais tarde, estava iniciando o curso de comissária de voo na EACON, em São Paulo.

Foram muitos meses de sábados inteiros dedicados ao curso. Muito estudo e uma certeza de que este era o melhor caminho para mim. Tudo ainda é muito novo e não sei como será, claro... mas tudo indicava que meu perfil era esse. E que após tanto perambular por sonhos, vontades, estudos e confusão... eu tinha achado algo em que poderia ser boa. 

Fiz a ANAC dia 5 de janeiro de 2016 já sem esperanças de ser contratada. Quase para fazer 30 anos, em época de crise em que todas as empresas aéreas brasileiras estão retraindo. A perpesctiva não era boa. Acompanhava muitos anúncios online de vagas, a maioria era notícia falsa. O que desanima muito quem está a procura de uma boa oportunidade. Mas incrivelmente ela veio... em junho consegui me inscrever no processo de seleção da Avianca. E o mais inacreditável (ou não!) passar!!! 

Sim, eu passei. Eu fiz todas as etapas e dei o meu melhor e agora sou comissária de voo. E logo mais vocês acompanharão as etapas seguintes desta jornada! 

Estou só começando, mas já tenho muita coisa interessante para contar. E principalmente, para inspirar quem também está procurando seu caminho e tentando ingressar nesta profissão! 
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