27 de julho de 2013

Aprendendo a contar

Hoje, quando retornava para minha nova casa em São Paulo, vi uma pequena família caminhando a minha frente. Pai, mãe e um menino de no máximo três anos, todos de origem bem simples, parecendo recém chegados na cidade grande. 

O menino pulava a frente dos pais, a mãe ficava mais atrás, olhando sua cria enquanto o pai, animado, brincava com a criança. 

"1, 2,3,4,5,6,7,8,9, e ..." 
"10" - respondia o menino.

E entao, para minha grande surpresa, o pai continuava instigando o menino a aprender.

"2,4,6,8,10
Para ver o menino responder, com alguma dificuldade: 
"1,3,5,7,9"

E depois, tudo de novo. Primeiro o pai, depois o filho. Era a mesma brincadeira, com números, de diversas maneiras... O pai inventava uma forma nova e contar e esperava que o menino soubesse qual seria o próximo número a ser dito. Em geral, o menino acertava. Mas também pulava e brincava e esquecia os números, mas o pai não se cansava, se o menino não prestava atenção, ele continuava a brincadeira sozinho, perguntando e respondendo ou contando os números de todas as formas possíveis, inclusive de trás para frente e retomava a atenção da çrianca. 

"10,8,6,4 e..."

Em duas tentativas o meninos chegou ao "2". E eu reduzia meu passo afim de acompanha-los também. Queria saber até onde iria a brincadeira,até onde o pai conseguia ensinar e instigar o menininho a pensar. E continuei pasma... Ele deveria ter no máximo tres anos, não só pelo seu tamanho, mas pelas palavras e o jeito de falar. O menino estava decorando tudo e esperando por mais. O pai parava um pouco e o menino continuava contando nas ordens corretas... Ou errando de propósito e olhando para o pai, provavelmente esperando que ele o corrigisse. A mãe continuava atras e me olhou de relance, percebeu que eu observava e sorria. Não se importou, talvez tenha sentido ate orgulho de seu filho, vendo como gostava de aprender. 

E eu entendi que muito provavelmente a simples ali era eu. 
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7 de julho de 2013

São Paulo. Finalmente????

Esta semana minha atenção está focada em uma coisa: a mudança para São Paulo. Há malas pela casa toda, caixas com livros, louça, bugigangas e coisas que eu nem lembrava mais que possuía. E continuam aparecendo coisas de todos os cantos possíveis de meu minúsculo apartamento de um quarto em Santos. Parece impossível...

Depois de anos morando sozinha, em meu próprio espaço ( e com meu namorado) volto a morar em uma republica. Ter preocupações com meus colegas de apartamento, em dividir espaços comuns, onde certamente cada um irá querer de um jeito. E enfim, ter meu cantinho, meu pequeno espaço nesta cidade tão grande e tão caótica, mas que será meu novo lar pelos próximos anos. 

Na Terça-feira, feriado no estado de São Paulo, colocamos tudo em dois carros e subimos a serra para meu novo lar. Fui no carro com minha mãe, e meu Papassinos, Felipe e Mauri no outro. Eles chegaram antes e já colocaram tudo no quarto. Quando chegamos a casa já estava uma zona, com todas aquelas caixas e malas jogadas em qualquer local do quarto. Nos ajudaram, e logo, quase tudo que eu possuía estava lá, naquele quarto gelado. 

Meus tios estavam lá para ajudar e me receber. Entao, havia barulho, animação, celular tocando e gente falando pelos cotovelos. Eu não estava nervosa. Estava tudo bem. Almoçamos juntos no Shopping Paulista, resolvemos algumas coisas do apartamento, assinamos contratos e logo chegou o momento deles retornarem a Santos. Deixarem a mim e meu irmão naquele apartamento gelado em São Paulo. 

Já na despedida, antes deles partirem, eu já me sentia um caco. Algo que pode parecer estranho para alguém que já morou em tantos lugares, que adora mudar de ambientes e que vive dizendo que é uma parte nômade. É. Mas eu realmente estava um caco ao vê-los ir embora, ver a casa escura, meu irmão enfurnado em seu quarto. Um apartamento de republica, quase sem moveis, totalmente imerso na escuridão e meu quarto, único ambiente claro, bagunçado, vivido. Não sabia onde estavam as coisas que queria usar no momento, não sabia o que fazer para passar o tempo. Não tendo armários nem para poder arrumar minhas coisas. 

Brinquei no iPad, e pouco depois o Felipe entrou para conversar comigo. E eu chorei. Chorei mesmo, com a mudança toda, com a sensação de que estou regredindo ao invés de progredir, de saudades do meu namorado e dos meus gatinos, que ficaram na cidade praiana. E sei lá mais porque. 

Esta sensação é boa também, o medo, a incerteza e a saudade. Achonque é por isso que me considero meio nômade, por gostar um pouco deste medo, deste aprendizado... Ao menos depois que ele passa, gostar de saber que o senti.

Será que alguém pode entender algo assim, tão paradoxal? 


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