23 de janeiro de 2015

São Paulo, a água, a energia e eu

Quem é daqui a da cidade ou acompanha as notícias da região sabe que não está fácil. A ameaça da falta d'água pairando sobre nossas cabeças há meses e a realidade do racionamento chegando.

E realmente chegou. Não moro em um bairro ruim. Aliás, moro em um bairro bem frequentado e movimentado e extramente caro. Vejo todos os dias pessoas economizando água ao máximo e outras desperdiçando sem o menor pudor. Sinto um misto de vontade de comprar briga, alertar, fazer alguma coisa. Mas também sinto um medo... não sou daqui; e São Paulo sempre teve aquela imagem de cidade violenta onde qualquer argumento pode acabar em tiro.

Há uma semana e meia a água foi cortada por dois dias. A Caixa d'água do prédio foi se esgotando e não chegava mais água para enchê-la. A pia encheu de louça suja e mosquitinhos, o calor era absurdo e a gente não podia tomar banho. Já havíamos começado a reutilizar água, a fechar o chuveiro ao lavar o cabelo e tomar banho com um balde para despejar no vaso sanitário quando a água acaba.

Não é fácil. Não é legal... e nem bonito. Muito menos é saber que em nosso próprio prédio tem moradores que nem procuram tratar um vazamento. E o vazamento prejudica a todos. A gente se mobiliza, a gente tenta conversar e a síndica entra para resolver. Mas claro que ela não póde fabricar mais água. 

Dias mais tarde, é a energia que falta. No meio do meu trabalho em casa, pufff... sem internet, sem luz, sem ventilador (aaahhhhhhhh) nem nada. O Kimi e a Mia não entendem... "Por que você desligou a nossa fonte de água bem quando estavámos tomando?". Ele me olha e reclama: "Liga... por favooooor". 

Estudo um pouco de tarot à luz de velas e resolvo dormir um pouco. As velas já não iluminavam tanto para que eu conseguisse ler sem prejudicar minha vista. Quando chegam em casa meu irmã e nossa rommate, o negócio é socializar SEM rede social. Cinema, o shopping aqui perto tinha luz normalmente (ok... faltou socialização nisso).

E tem sido assim toda semana, todo dia a preocupação com a falta d'água e o medo de que vai faltar luz também. Falta luz neste verão ao menos duas vezes por semana. E com a violência cada vez pior, daqui a pouco o povo começa a invadir sua casa para roubar água... isso se você tiver!

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7 de janeiro de 2015

"My life, my mission, my destiny" Evita Perón

 Evita! Como não podia deixar de ser, estando em Buenos Aires eu tinha que conhecer mais sobre Evita Perón. Esta atriz, política e grande personalidade do século XX. O museu fica em uma rua bem tranquila, no bairro de Palermo. 

Fui com dois amigos, Christoph da Suíça e Steffan da Holanda. Pegamos ônibus e descemos próximo ao local. A rua era tão calma que não achamos que houvesse realmente algum musu por ali. Mas havia, e era riquíssimo. 

A casa na Rua Lafinur foi renovada em 1923 e seu arquiteto (Estanislao Pirovano) procurou dar a ela um ar nacionalista e pitoresco, que também refletia um pouco d herança espanhola e italiana, como era tendência na época. E, 1948, a fundação de Ajuda Social María Eva Duarte de Perón adquiriu a mansão e a transformou em um local seguro para acolher mulheres de todos os cantos do país que precisassem resolver problemas de carteira de trabalho, direitos, entre muitas outras coisas.

Quando entramos eu meio que senti como se estivéssemos entrando em um templo. Estava tudo tão calmo, tranquilo, pacífico. Um ventinho entrava conosco, parecia coisa de filme. Fomos logos cumprimentado por um rapaz simpático, que nos direcionou à bilheteria e nos apresentou à idéia do museu em espanhol e inglês.

 O museu logo começava num corredor escuro com alguns vídeos de Evita em sua época como atriz. E logo entravámos em seu mundo. Explorando sua infância humilde na cidade de Juni (Província de Buenos Aires) e posteriormente seus anos de glória no cinema e na política.

Maria Eva Duarte nasceu em maio de 1919, na província Buenos Aires. Não se sabe ao certo em qual cidade exatamente que se deu seu nascimento, algumas fontes afirmam que foi a cidade de Junin e outras uma estância próxima. Veio de uma família pobre e simples e aos 15 anos partiu para Buenos Aires para tentar uma carreira artística. Era fascinada por cinema e artes e aos 16 anos conseguiu estrelar o primeiro filme.

Assim ficou famosa, como atriz e cantora. Em 1944 conheceu Juan Domingo Perón, que era então o vice-presidente do país e mais tarde se casaram. Evita, de atriz famosa, tornou forte defensora do direito dos pobres, atuando cada vez mais na política do país. Como atriz, era conhecida como Eva Duarte e como política, virou Evita Perón e assim todos a conhecem até hoje.

Chegou a ser vice-presidente, mas nunca pode exercer o cargo, morreu aos 33 anos de idade em virtude de cancer de útero.

Quanto mais eu lia sobre ela, quanto mais eu adentrava naquela casa cheia de suas fotos, dizeres, vestidos e projetos... mais eu a admirava. Mais ao final da exposição, encontramos algo um tanto estranho... mas que faz sentido para um museu. Um busto de seu rosto após sua morte. Uma estátua de seu sono eterno.

O mais incrível foi saber da odisséia que envolveu seu leito após sua morte. Achando estranho? Pera que piora! Evita morreu em 1952 devido a um câncer de útero. Seu corpo embalsamado ficou em exposição até 1955, quando o governo militar tomou o poder na argentina e sequestrou o corpo de Evita. Eles a trasladaram para Milão na Itália, onde foi novamente enterrada. Em 1971, seu corpo foi exumado e levado para a Espanha, entregue ao próprio ex-presidente Perón, que morava então em Madrid. Perón retornou a Argentina, onde se tornou novamente presidente em 1973 e faleceu no ano seguinte. Sua viúva finalmente trouxe o corpo de evita de volta à Buenos Aires, onde foi enterrada no mausoléu de sua família; a família Duarte.

Por que tudo isso? Evita era um ícone tão forte e tão grandioso para o povo que os militares não aceitavam que tal "lembrança" estivesse viva na mente do povo. Levando seu corpo para longe, eles queriam que ela fosse mais e mais afastada da mente da população, que ainda nutria um sentimento de carência muito grande por sua morte precoce. Era travada uma guerra para saber onde que Evita descansaria em paz, onde que sua população poderia chorar sua perda (e se poderia fazê-lo).

Coloco abaixo o meu quote favorito de Evita:
Quando escolhi ser "Evita" sei que escolhi o caminho do meu povo. Agora, a quatro anos daquela eleição, fica fácil demonstrar que efetivamente foi assim. Ninguém senão o povo me chama de "Evita" . Somente aprenderam a me chamar assim os "descamisados". Os homens do governo, os dirigentes políticos, os embaixadores, os homens de empresa, profissionais, intelectuais, etc., que me visitam costumam me chamar de "Senhora"; e alguns inclusive me chamam publicamente de "Excelentíssima ou Digníssima Senhora" e ainda, às vezes, "Senhora Presidenta". Eles não vêem em mim mais do que a Eva Perón. Os descamisados, no entanto, só me conhecem como "Evita". Eu me apresentei assim pra eles, por outra parte, no dia em que saí ao encontro dos humildes da minha terra dizendo-lhes que preferia ser a "Evita" a ser a esposa do Presidente se esse "Evita" servia para mitigar alguma dor ou enxugar uma lágrima. E, coisa estranha, se os homens do governo, os dirigentes, os políticos, os embaixadores, os que me chamam de "Senhora" me chamassem de "Evita" eu acharia talvez tão estranho e fora de lugar como que se um garoto, um operário ou uma pessoa humilde do povo me chamasse de "Senhora". Mas creio que eles próprios achariam ainda mais estranho e ineficaz. Agora se me perguntassem o que é que eu prefiro, minha resposta não demoraria em sair de mim: gosto mais do meu nome de povo. Quando um garoto me chama de "Evita" me sinto mãe de todos os garotos e de todos os fracos e humildes da minha terra. Quando um operário me chama de "Evita" me sinto com orgulho "companheira" de todos os homens. - Evita Perón.

FOTOS DO MUSEU:





Aaaawwwnnn
















Após sua morte:




Revoltas militares

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