13 de novembro de 2014

A nova terceira idade!

Aquele sentimento quando seus pais já podem sentar no banquinho azul claro... especial para a terceira idade.

Olhei bem para os dois, como faço agora ao escrever este post. Não são velhos. Estão bem, felizes, saudáveis. E com certeza não tem cara de sessentões... ou tem? O que é uma cara de sessentão?

Quando eu era nova, pensava que acima dos 50 anos as pessoas já eram idosas. Assim.... MUITO velhas! Não lembro de pensar que as minhas avós eram velhas... era engraçado como não fazia associação entre a idade e as pessoas próximas a mim. Somente relacionava com as pessoas no geral, com os irmãos dos avós, as pessoas na rua. Aquele senhorzinho que passava todo dia de manhã pelo nosso caminho, todo enrugadinho e ía dar milho aos pombos. 

Aquela outra senhora, de cabelos quase azuis e uma roupa conservadora, uma bengala sem cor e sandálias antigas. Uma vez que comentei isso com meu pai, ele falou que quando era criança chamava todo mundo acima de 40 anos de "velho" e realmente os considerava assim... velhos.

E então, percebo o quanto o conceito de velhice mudou. Não apenas porque hoje a expectativa de vida é maior, mas porque encaramos o "envelhecer de maneira diferente". Ter 60 anos hoje em dia não á mais ter de se comportar de certa maneira, se vestir de maneira conservadora e ser sempre aquela pessoa que  todos olhavam como sempre estando no "background" da vida. Como se não mais tivessem uma vida própria, que não fosse para sua família e para seus filhos e gerações.

Uma vez vi uma reportagem em uma revista de uma atriz, em seus 50 anos fazendo um ensaio fotográfico sobre a nova fase da vida. Sendo filha de atriz também, a revista fez uma comparação de fotos da mãe aos 50 anos. Estampado a página da esquerda estava a mãe, com o cabelo chanel, um colar de pérolas delicadas, uma roupa escura e que cobria seus ombros e colo. Não exibia um sorriso propriamente dito, seus lábios estavam fechados e sua feição era séria.
Na página da direita estava sua filha, sorridente e colorida, com uma roupa clara que mostrava seus braços e os cabelos esvoaçantes. Usava brincos grandes, maquiagem jovem. Totalmente diferente da imagem de sua mãe. Parecia mais nova, enquanto sua mãe aparentava bem mais velha, séria, conservadora e até mesmo um pouco triste. Talvez triste por envelhecer. Já a filha estava alegre, irradiava confiança e juventude como se o passar dos anos apenas lhe fizessem bem. E parecia mesmo fazer. 

As vezes o novo jovem fica frustrado, reclama de quando os pais grudam nele e então, reclama quando eles tem sua independência a toda e passam a aproveitar em sua aposentadoria uma nova juventude. Uma juventude experiente. Durante uns anos, lembro de falar com meu irmão que minha mãe voltou a ser adolescente. Saia com os amigos mais que a gente, aproveitava para ficar até tarde com eles sem preocupação com o dia seguinte e horário de acordar, bebia nos bares podendo pagar um taxi do próprio bolso sem problemas. Poder ter namorados sem tabu de levar para casa e aproveitar a noite. É o novo idoso. 

Na Holanda conheci uma senhora que estava fazendo um mochilao pela Europa. Ela era australiana e quando percebeu que seus filhos já eram grandes, com seus próprios filhos e que ela estava lá, sem fazer danada da própria vida... Pegou a mochila e partiu. E partiu na cara e na coragem, fazendo mochilão, dormindo em hostels, e viajando de pais em pais sem preocupações. E além de tudo... Sozinha!

Eu sempre dizia que tinha nascido na década errada, que gosto de Beatles e queria ter vivido no tempo deles, etc etc etc. Mas também gosto de imaginar como vai ser a minha velhice, o meu envelhecer. E acho que posso querer ser "cada vez mais nova" e envelhecer vivendo cada vez mais experiências legais, sem preocupação com a idade e com imagem. Querer fazer o mochilão sem medo, curtir com amigos esses a os dourados, depois de muito trabalho. Sem ser uma coadjuvante da própria vida. 




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11 de novembro de 2014

Novos rumos!

(mesmo post de meu outro novo blog)

Eu nunca soube ao certo que caminho eu realmente queria seguir. Quando nova, pensando nas carreira internacional. Ser diplomata. Comecei o cursinho em 2004 e conheci uma atriz, formada pela USP, que não conseguia viver de trabalhar com teatro. Não conseguia pagar aluguel, tinha 28 anos e estava no cursinho novamente, tentando arquitetura. Aquilo me atingiu. Era artes cênicas que eu estava pensando em prestar. Foquei em Relações Internacionais, a promessa do dinheiro, da carreira internacional e mesmo do status e glamour que vinha com a idéia de seguir este caminho. Então foi assim. Fiz relações internacionais, logo percebi que mesmo gostando das disciplinas, não era minha vocação, minha paixão. Não ía me satisfazer profissionalmente. Mas não podia desistir. Meus pais já haviam investido muito para eu chegar onde estava, na Unesp em Marília.
possíveis carreiras, tudo parecia interessante, mas nada me cativava o suficiente. Queria ser atriz. E escritora. Queria estudar as pessoas, principalmente gêmeos. Entendê-los psicologicamente. Também queria ter uma vida dinâmica, em que nunca trabalhasse do mesmo lugar. Como conciliar todos esses desejos?

Também pensava que com o passar do tempo eu amadureceria e entenderia que este era meu caminho pois eu o escolhi. E então, seria feliz com minha escolha. Mas nunca senti isso, nunca foi assim na minha vida. Após formada, trabalhei em empresas de exportação, em departamentos voltados para o internacional e nada de me sentir feliz, satisfeita. Mas esqueci o assunto e me resignei a encontrar um trabalho decente e pronto. 

Quem me acompanha sabe que após sair do meu último emprego, tudo estava começando a mudar. Nada de satisfação, nada de ser realmente boa em alguma coisa, qualquer que fosse! E comecei a pesquisar  cursos novamente, outras caminhos. Ler sobre profissões que nunca havia pensado antes. Decidi achar algo diferente. E também senti muito medo. Já tenho 28 anos, investi tanto num certo caminho, numa certa vida que parecia tudo tão horrível, largar todos esses anos investidos para começar de novo. Ficou aquele misto de "Se eu for mudar, a hora é AGORA!" E "Mudar com quase 30 anos de idade?"

Não me arrependo do que fiz até agora e do caminho que segui. Mas me sentia muito infeliz e confusa. Mais e mais eu acompanhava o sucesso dos meus amigos em suas carreiras. E tudo só reforçava minha decepção comigo mesma. Por que não acho minha paixão, minha vocação? Por muitos anos pensei que não encontraria mais nada, nada que me movesse, nada que eu realmente quisesse alcançar.

E então, pesquisando na internet sobre morar fora, trabalhar em algum outro país, olhando agências de emprego em Dubai, minha mãe me apresentou à Patrícia. E ela me apresentou à vida de comissária. Huuum.... Eu, comissária? Alguém já pensou nisso antes? Eu não, para falar a verdade. Nunca tinha cogitado essa opção. E agora ela parecia ter caído no meu colo, dizendo "Olha para mim". Mas eu ignorei. Por um ano inteiro, enquanto trabalhava no GPA. Não pesquisei o assunto, não li sobre o trabalho de uma comissário e muito menos sobre empresas, requisitos e estilo de vida.

Estava concentrada em outro mundo. E então, meu mundo ruiu. E eu quase que ruí junto. Em Santos, na casa do meu pai, estávamos vendo um programa conhecido como "Catástrofes Aéreas" (Mayday ou Air Crash Investigations) e eu sempre curti muito esta série em formato documentário. Cada episódio investiga um acidente, suas causas e o que foi aprendido com sua ocorrência, como a industria da aviação torna-se cada vez mais segura após essas investigações. O episódio do dia tratava da importância dos comissários durante alguma anormalidade... e eu senti que era capaz de atuar daquela forma, de agir daquele jeito e ajudar.

E foi assim que comecei a pesquisar se o restante da carreira eu também me identificaria. E me apaixonei. Comecei a correr atrás de informações práticas, cursos necessários, preparo físico, exames... e logo começo minhas aulas no curso de formação de comissários... ;)

Novo caminho e novos rumos...
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3 de novembro de 2014

Formatura do irmão


O tempo as vezes passa muito rápido! E agora meu irmão já é formado. 


Fiquei olhando as nossas fotos de criança um bom tempo. Já estava arrumada, só esperando meus pais se aprontarem para irmos ao Mackenzie para a tão esperada formatura do Mauricio. 

Meu irmão era uma gracinha. Quando bem pequeno tinha cachinhos dourados e era todo gordinho. Aos 6 anos meus pais o colocaram na mesma escola que eu, uma escola grande, com uma média de 25 alunos por sala. E ele vinha de uma pré escola com 3 ou 4 coleguinhas apenas. Chorou o dia inteiro, até que a professora me chamou em minha sala. Eu cursava a 4º série e passei o dia sentada ao lado do meu irmão, segurando sua mão e aprendendo com ele o que se aprende no pré. E ele ficou calmo. Acho que foi aí que eu notei que era importante na vida dele, que minha presença significava "família, ambiente conhecido".

Claro que nem sempre nos demos bem. Já naquela época, a gente mais brigava que qualquer outra coisa. Mas poder passar a sensação de segurança a ele, naquele dia, foi tudo de bom. Me senti também importante, com valor, amada.
E tudo passou rápido. E outro dia ele se formou, depois de muita persistência. Ciência da Computação. Formado. Com um futuro promissor.

Fiquei pensando sobre minha própria formatura, a colação de grau, o recebimento do meu diploma. E meu caminho até aqui. Toda a confusão e mudança que estou vivendo no momento. E apesar das brigas, continuo aqui torcendo pelo sucesso dele. E cada vez mais sucesso! E que ele saiba que pode contar comigo, que se chorar vou sair lá da minha aula e vou segurar a mão dele de novo.



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