3 de março de 2012

"Não é uma opção"

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Esses dias li numa coluna na internet que alguém comentou "Ser gay não é opção" e por isso recebeu um monte de críticas. Eu costumo não falar de assuntos que não tenham a ver comigo especificamente e não costumo comentar sobre matérias de jornal ou polêmicas, mas esta discussão me levou a anos atrás, uma conversa aparentemente boba e simples no McDonalds, onde eu achei uma das minhas esmeraldas.


Isto ocorreu antes mesmo de eu me tornar a Caçadora de Esmeraldas, e acho que eu nunca tinha pensado em postar sobre o assunto.Até agora. Até alguém falar na mídia que "ser gay não é opção". Eu sempre fui muito mente aberta, me orgulhando de aceitar as pessoas como elas são e por seus valores, mas até entrar na faculdade eu não tinha tido muito contato com gays. Conhecia alguns, mas o assunto nunca era tratado de forma aberta e eu nunca pressionei ninguém para satisfazer minha curiosidade. 

Na UNESP era tudo diferente, as vezes eu sentia como se vivesse no The Sims, quando eu via casais gays de mãos dadas pela Universidade ou se cumprimentando com um selinho abertamente e sendo respeitados ao mesmo tempo. E pelas primeiras vezes eu me peguei pensando que aqueles que não concordavam com isso ficavam quietos, pois eram minoria. Mas que mesmo naquilo que parecia uma sociedade ideal eles deviam existir e aqueles a quem seus olhares eram dirigidos deveria perceber, por mais que para mim tudo parecesse muito bonito, muito ideal. 

Havia na Universidade um garoto alto e bem arrumado que não tinha medo de ser quem era. Eu gostava dele, ria com ele quando estávamos em grupo, mas nunca havíamos conversado muito. Na verdade acho que nem tínhamos muito em comum. Quando já estávamos no segundo ou terceiro ano do curso, fomos com alguns amigos ao McDonald's e em meio a refeições e sorvetes surgiu o assunto da sexualidade e do homossexualismo. Falamos sobre os diversos pontos de vista, dentro e fora da faculdade, sobre preconceito, sobre ser diferente e sobre aceitação. Ainda acho que mais difícil que encarar a aceitação dos outros é a própria, por mais que eu não tenha vivido isso, posso imaginar que se uma pessoa foi criada acreditando que algo é errado será muito doloroso para ela aceitar que perante aqueles que ensinaram isso "ela também É errada". 

Ficamos um pouco em silêncio e meu amigo falou "Mas ser gay não é uma opção. Eu não acordei um dia e disse ' Hoje vou ser gay' " . Por mais idiota que seja, eu nunca tinha encarado o assunto desta forma. Todos falamos (mesmo quando dizemos nos despir de preconceitos) que devemos respeitam aqueles que optaram por seguir este caminho... Mas o garoto alto e bem apessoado a minha frente naquele dia tinha razão. Quem optaria por ser diferente se isso significasse seguir um caminho que muitas vezes pode ser tão doloroso? E naquele momento mesmo sem nunca ter pensado nisso uma antiga situação da minha própria vida surgiu.

Eu deveria ter uns 11 ou 12 anos e tinha minha melhor amiga com quem era grudada. Nesta época começamos a descobrir os meninos e a falar deles, sonhar com eles. Mas nem conseguíamos nos imaginar beijando...  éramos muito novas. Um dos garotos da nossa sala , que vivia nos atazanando, brigando com a minha amiga disse que éramos gays. E eu fiquei quieta pensando "Será que eu sou mesmo gay? Porque adoro passar tempo com ela? E se eu for, o que acontece? " Tive medo, medo de não saber o que fazer. Ou de não saber quem eu era. 

Hoje eu acho graça nisso. Mesmo criança naquele dia eu tive a mesma noção que meu amigo colocou em palavras... não é uma opção. Eu não nutria nenhum sentimento diferente pela minha amiga e nem me ative muito a esse pensamento, nós tinhamos outras preocupações (garotos, provas, garotos, amigas malvadas, etc) e logo eu entendi que por mais que aquele menino falasse isso de nós (que também nunca mais falou) não era quem EU era. E eu também não escolhi, eu sou quem eu sou. 

Tão simples, uma idéia tão ... natural e eu sorri ao meu amigo no McDonald's já como se fosse outra pessoa. Era ele colocando em palavras tudo que eu já havia sentido um dia. Ele sentiu por ser gay e eu , por não ser. E muitas pessoas ainda hoje fazem confusão com isso, não acham natural ... mas eu me imagino sempre no lugar deles... quem sou eu para dizer o que faz alguém feliz? Como quando minha mãe soube que uma amiga próxima minha e uma filha para ela era gay : "Estou triste por isso. Ela vai sofrer tanto com os outros."  e eu respondi "Não se respeitarmos ela como é. Começa pela gente.E a gente luta junto para que todo mundo respeite também" e ela sorriu satisfeita. 

O garoto desta história, que com uma frase me fez pensar tanto não sabe... mas ele em si já é uma de minhas esmeraldas. Forte, batalhador e verdadeiro consigo mesmo. Nunca mais tivemos muito contato, mas aquele dia e as pequenas coisas de que lembrei por causa dele me tocaram muito e eu desejo que que eu também possa tocar pessoas um dia, pelos mais diferentes motivos. 

7 comentários:

  1. ja tive essa mesma conversa com um conhecido. Eu sou hetero, mais adoro gays, travestis, tinha muitas amigas lesbicas no brasil, pra mim são pessoas normais, o que cada um faz a quatro paredes não me interessa. Me interessa o que são no dia a dia, as risadas que tiram de mim, a sinceridade.
    Alias os meus cantores, escritores , artistas prefiridos são homosexuais, então não teria sentido nenhum eu ter uma ideia contra eles.
    Espero que em breve as pessoas aceitem as pessoas tais como elas são, pelo seu carater e não por um sexo.
    Alias o Brasil é um pais onde se fala muito de liberadade e eu que ja fui pra um pais arabe confesso claroooooo que no br existe muito mais liberdade que em relação a outros paises, mais ainda existe muito preconceito, me lembro da imagem liinda de quando cheguei na belgica vi pelo menos uns 7 casais homo de maos dadas , as primeiras pessoas que pedi dicas de orientação foi um casal de gays muito simpaticos, e olha nao vi ninguém olhando feio, não é a toa que milhares de travetis vem se casar na europa.
    Interessante o post , ;) beijos

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  2. Realmente, é um assunto muito polêmico de ser tratado. Eu tive/tenho diversos amigos homossexuais (e eu só tenho 17 anos) que eu passei a ver isso como uma coisa normal, onde o que importa é o amor.
    Sou hétero, mas defendo muito a causa dos homossexuais, eles merecem respeito! Eles são pessoas como a gente! Mas ainda existe muita gente que não entende isso. :/

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  3. Passei pra agradecer a visita ao meu blog e dei de cara com este texto! Pois bem, tenho vários amigos mais há mais de 20 anos e são ótimos amigos, conversamos sobre tudo.

    Assim sendo, essa estória de "ser gay não é opção" eu já sabia há muito tempo, sempre convivi muito com eles, sem problemas. Eu sou hetero mas aceito a opção sexual das pessoas, cada pessoa tem o direito de ser o que é! Mas infelizmente, muita gente ainda discrimina homosexuais e eu fico triste com isso.

    Vou voltar com mais calma aqui pra ler suas esmeraldas. Eu admito que já colecionei muitas por esta vida a fora, e ametistas, rubis e até um ou outro diamante! Mas também admito que sou 20 anos mais velhado que você...enfim, você está no caminho certo!

    Greetings from Amsterdam!

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  4. Oi querida! Parabens pelo post. Realmente não é fácil ser diferente nesse mundo. Eu tenho um grande amigo que é homossexual e nunca teve coragem de se assumir. Ele namora mulheres, fala delas o tempo todo, mas não é "a praia" dele. Triste isso, pois se não houvesse tanto preconceito ele não se sentiria forçado a fazer isso...

    Mas enfim, gostaria de agradecer sua visita no blog e suas palavras. Vc me perguntou se aceito encomendas, e a resposta é sim. Pra mais detalhes, por favor visite o seguinte link: http://www.lalelilolu-illustration.com/p/encomendas-orders.html. Qualquer coisa me escreve, tá?

    Um grande abraço,

    Lu

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  5. adorei teu blog, vou te acompanhar tambem :)

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  6. É tão complicado falar deste assunto não é mesmo, somos tão cheios de pré-conceitos e ao mesmo tempo temos tanta vontade de enchergar tudo com naturalidade que nem se sabe mais a nossa própria opinião, mas acredito que o caminho seja a não exclusão, o que importa a escolha sexual de cada pessoal?

    Vanessa - Balaio

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  7. Concordo 100%. E pensando assim, criando nossos filhos para pensarem assim: eu vejo a vida melhor no futuro.
    beijos.

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