12 de maio de 2013

A paciência da mamãe.

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Eu ainda era bem pequena, mas me lembro muito bem de colocar os sapatos de salto da minha mãe e desfilar pela casa. Fazia uma bagunça, nao colocava nada no lugar. Tirava sapato da mãe, do pai, colocava um pé de um e outro do outro, enfileirava tudo, depois separava por cor e depois por tamanho. Bagunçava tudo de novo jogando tudo pro alto e tentava achar os pares com os olhos fechados. 

Claro. Meu quarto nao era nem de perto tão legal para brincar. Já o quarto dos meus pais... Tão simples, com um armário embutido em uma das paredes, uma cama de casal ao centro e a sua frente um móvel pequeno com uma tv. As cortinas eram de um bege sem cor, algo bem à moda antiga, com um tecido diferente que raspava no corpo. Eu também adorava esticar as cortinas até encostarem na cama, e colocava algo para segurar a cortina em cima da cama. Fazendo uma cabaninha. Isso, eu logo ensinei ao meu irmão. E ele corria para pegar almofadas da sala e eu montava nosso forte. Só fazíamos essas loucuras a noite, quando meus pais estavam em casa. E repito, o quarto dele era muito mais divertido... Pois era necessário criatividade para brincar lá. 

Minha mãe sorria, ao menos é disso que me lembro. Nao sei se por dentro havia aquele desespero de ver seus filhos destruindo seu quarto. Nao sei também como se sentia quando via que meu pai havia afastado o sofá da parede e tínhamos feito piscina com todas as almofadas possíveis. A gente subia na mobília e se jogava naquele mar de almofadas. E ainda fingia nadar! E meu pai instigava tudo. Se a gente arrumava depois? Eu nao lembro... 

Eu me lembro de ser ainda bem pequena e ela sair para ir trabalhar me deixando em casa. Eu corria atras chorando, desesperada. Agarrada ao meu "nana". Hoje ela me diz que chorava também. Nao deve ser fácil. Quando já era maior e brigava com meu irmão, eu ficava numa extensão do telefone e ele na outra e a gente ligava para ela para resolver a briga. Nao me lembro dela ter desligado o telefone na gente, mesmo que a gente estivesse atrapalhando seu trabalho. Para nós, ela era a única advogada que podia resolver nosso impasse. Claro, se nao nos matássemos antes. 

Então, hoje é o dia dela. Dia das mães. Dia que tirei para relembrar como a via em minha infância, por mais que tivesse acabado de acordar eu a achava linda. Sem maquiagem, sem batom , de qualquer jeito. Se punha batom, eu queria também. Se ia trabalhar no banco,  eu brincava de caixa com minhas bonecas. Mas ela nao sabia... Eu tinha vergonha de falar. Tinha vergonha de dizer que queria ser como ela e que também sonhava em viajar e em conhecer o mundo.

Bom... Hoje. Acho que ela sabe. Te amo Mamessinas!!!! 



4 comentários:

  1. Vc me fez chorar !... Saudades ! Saudades ! Saudades dos anos q se passaram tão rápido e eu sei pouco curti c/ vcs. Sempre preocupada c/ coisas q hj não têm mais valor e as coisas q realmente têm valor... eu as deixei escapar . Não dei a vcs a infância q eu desejava e q tb queria. Lembro q morria de inveja qdo alguma cliente ia fazer cadastro e respondia como profissão " do lar " . Eu queria ser " do lar " p/ poder me dedicar + à família, aos meus filhos q ficaram tantas vezes sozinhos por força das circunstâncias. Obrigada pela compreensão de vcs e pelo amor de vcs. AMO VCS !

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  2. Que linda homenagem pra sua mãe este post!

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