27 de janeiro de 2009

O baile, a rosa, o palco e um roubo.

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Da janela do onibus, ela podia ver as estrelas no céu. Era o mesmo céu que a havia recebido anos antes, em sua primeira viagem noturna a Marilia. Esta seria uma das últimas. Ruma a sua formatura, rumo ao evento que marcaria o fim de um capítulo do livro de sua vida, o fim de alo que ela pensara por muito tempo que queria ver termiado. Mas estava enganada. Ainda sentiria muita saudades, um aperto no peito e um frio diferente em seu estomago. Ao pensar nisso seus olhos marejaram e procurou concentrar-se na música que ouvia naquele momento, mesmo que mal conseguisse distinguir qual era o idioma cantado, sua mente, definitivamente, não se encontrava nas musicas.

O jantar fora como o esperado e a caçadora de esmeraldas sentia-se bem, alegre e animada. Não parecia uma despedida. Não parecia nem o encerramento de uma página , quanto mais de um capítulo inteiro! Ela também não se preocupava, estava segura, confiante. Havia passado meses sem ansiar por aqueles dias e naquele momento,sentia como se tivesse esperado por isso durante anos. Mas ainda não era o seu dia...

Talvez fosse o dia seguinte, como assim se confirmou.

Logo que chegou a festa, a moça mal conseguia conter-se em sua cadeira, perambulou, procurou seus amigos, tentou até comer alguma coisa. Em vão.Nada parecia agradá-la, seu estomago estava embrulhado de nervoso, um sentimento diferente daqueles outros que havia sentido nos dias anteriores. Na entrada, haviam pétalas de rosas espalhadas pelo chão, em harmonian com as cores do salão, mas a caçadora de esmeraldas ficara encantada com um uma rosa solitária num vaso. O vaso estava cheio de outras rosas, mas enquanto todas tombavam para um mesmo lado, a pequena rosa insistia em tombar para o outro, comos e procurasse uma saída diferente para sua vida. Uma alternativa que não aquela a qual suas irmãs haviam escolhido.

O brilho das luzes do salão iluminaram o rosto de seu amigo Panda e a menina teve a sensação de que já tinha vivido aquela cena. Seu amigo ja estava dancando, era mestre em tirar qualquer um do desanimo e da tristeza apenas com seus movimentos malucos. O salao era na realidade o ginasio de um clube, mas para quem nao soubesse do fato, seria impossivel adivinhar tendo estado la dentro durante a festa. As paredes de pano branco mantinham a aura esportiva distante, o teto da mesma forma ostentava lustres bonitos e chiques que iluminavam o ambiente com delicadeza. As mesas tinham toalhas escuras com detalhes em branco e ainda, rosas enfeitavam o centro de cada uma.

O ápice de seu nervosismo não tardou a chegar, assim que a valsa fora anunciada, os pés da caçadora estremeceram como se tivesse desaprendido a andar. Correu em busca do Papassinos e então, dirigiram-se para fora do salão, onde alguns outros casais de pais e filhos já se encontravam ansiosos. A mulher limpava sua mente constantemente, estava crescida, sentia-se crescida. E ao olhar em volta, para o salão atrás de si, notou que a festa era para ela... e ficou feliz de não ser apenas para ela, feliz em poder compartilhar aquele momento com os que haviam feito esta mesma caminhada. Tentava disfarçar seu ligeiro desconforto, a tremedeira, as borboletas no estomago e uma esquisita dor de barriga. Logo seria sua vez.

Logo seu nome fora chamado... Caçadora de Esmeraldas

era a hora de caminhar ao lado do Papassinos. Posar para fotos. Valsar. Sua mente fechou-se para o mundo e anestesiada ela caminhou em direçào ao salão, esquecendo-se dos olhares voltados a eles. Não houve preocupação em cair, em desiquilibrar-se em seus saltos, ou em procurar seus amigos em meio a multidão de rostos. Reconheceu Mamessinas e sua amiga e irmã LyuLyu e seu irmão. A pista de dança era pequena e por vezes, a caçadora e seu pai esbarravam em outros casais, mas não havia nada que valesse mais a pena do que ver o sorriso que seu Papassinos lhe oferecia...

A banda que se seguia a valsa a deixara animada e ao passo que seus amigos, um por um, tornavam-se mais desinibidos devido a bebida, a moça também deixava que a loucura dentro de si falasse mais alto... E quando o vocalista chamou algumas moças para subir ao palco, seus amigos a empurraram... e após relutar um pouco, indesisa se realmente teria coragem para tal fa'çanha, quando dera por si já estava acima de todos, olhando do palco para uma multidão de vestidos e ternos, todos torcendo pelas meninas que já começavam a dançar "Piriguete". Desajeitada, fixou seus olhos em na moça que encontrava-se ao seu lado, que dançava bem e parecia não ligar para a multidão. Juntou-se a ela, dançou como ela e acrescentou seus próprios passos, exibindo-se para a câmera de sua amiga, que ria descontroladamente na direção de seus pés.

Os formandos ganharam um brinde de formatura, uma sacola com colares e pulseiras que brilhavam no escuro entre outras bugigangas para utilizarem na festa. Também havia uma caneca e um Cd com as fotos da turma. Logo a menina pensou em como a viagem do dia seguinte poderia ser divertida. Sua familia já havia ido embora da festa, e como os conhecia bem, sabia que tudo aquilo que se encontrava na sacola, seria motivo de muita festa e brincadeira com seus pais. Ficara sonhandoa cordada com isso por um tempo, enquanto apertava a sacola contra o peito. Depositou-se na mesa mais próxima e saiu para dançar com seus amigos.
Tentara voltar a realidade ao estabelecer-se novamente no chão, mas nada adiantava, estava nas nuvens. Seus amigos formaram um círculo e ainda desinibidos, qualquer musica parecia ter sido feita para dançar, e qualquer musica parecia adequada ao momento. Nào havia nada de gosto musical. As dancás de casais logo começaram e a menina viu-se diferente de outras vezes em que a mesma situação acontecia, não tinha medo de dançar, e dançou com todos seus amigos e ao final, um clima de ternura a rodeou e sentindo a musica terminar, a menina segurou a mão de seu companheiro de dança delicadamente, aproveitando o momento. Nada falaram, nada fizeram, apenas olharam a banda, as pessoas e por ultimo um ao outro. A caçadora de esmeraldas sentia-se sem graça e a unica coisa que conseguiu foi esboçar um sorriso em direção a ele. Naquele momento, ainda segurando sua mão, pensou que não poderia ter sido nenhum outro amigo.

Suas mãos se soltaram devagar das màos leves do garotos e seu olhar voltou-se para a mesa onde estava a sacola de brindes da festa. Queria sua caneca para beber alguma coisa. Nada. Apenas algumas garrafas vazias e uns copos semi-cheios de algum liquido outrora gelado. Fora pea de surpresa em sua ingenuidade, não acreditara nem por um segundo que alguém poderia rouba-la na festa, no auge de sua alegria. Nunca entendera os motivos do roubo, da traição e da maldade, mesmo que em outros tempos já tenha desfrutado de seus sentimentos. Olhou rapidamente em votla e após não achar nada, sentou-se em um banco e suas lágrimas começaram a rolar livremente. Sentia boba. Por ter perdido suas coisas, por não ter mais o dia seguinte com o qual sonhara tão brevemente e principalmente por ter sido ingenua.

Chorava por terem levado a lembrança que ela queria guardar daquele dia... daquele dia que marcaria o fim de um lona convivencia com seus amigos e isso já fez com que ela sentisse seu coração apertarsse de saudades novamente.

Uma amiga de cabelos ruivos cacheados e um sorriso amoroso aproximou-se dela, segurou-a em seus braços e deixou que ela chorasse um pouco, sem nem perguntar seu motivo. A caçadora agora sentia-se menina, não mais uma mulher formada, apenas uma menina de uns 8 anos, agarrada a numa irma, deixando o momento passar. A frustracao seguiu-a um pouco e decidiu afastar-se da pista de dan'ca, recolher seus pensamentos e recompor seu espirito. Um de seus guardioes acompanhou-a , mas ela logo pos-se de pe, correndo para a mesa na qual estivera sua familia. talvez la ainda estivesse o papel com seu nome, assim poderia levar uma recordacao para casa, uma lembranca enfim. mas a mesa ja estava limpa, sem nada que ela pudesse levar como lembraca. E foi neste momento que o Panda saindo da sala de entrada deu-lhe uma ideia e a ca'cadora correu para o lugar onde antes estava seu amigo. A rosa! Podia ainda estar la! A rosa rebelde! Quando chegou, um calor tomou conta de seu peito e ela esticou seus braco para alcancar a rosa. Roubou-a.

Tomada por um nova sensacao de alegria, a menina dirigiu-se novamente ao circulo de amigos e segurando a rosa, tinha a certeza de ter achado a esmeralda do dia. Feita para ela, e feita por ela... seguiria um novo caminho, levando com a rosa todas as boas lembrancas.

Fotos: (apenas algumas... as poucas do primeiro dia de festa)




















11 comentários:

  1. oie..pois e menina vamos mudar.kkkkkk.obrigada pelo comentario..e ;lindas fotos.bjs

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  2. Outro dia eu estava num churrasco com meus amigos de faculdade, aqui em São Vicente. Muitos deles se formaram, e eu não sabia se os veria novamente.

    Foi muito legal. Foi mais, foi único. Sabia que aquele momento dificilmente iria se repetir; já era difícil fazermos isso em São Paulo, imagina novamente na Baixada.

    Foi aí que eu percebi uma coisa. Eu sempre busquei o sentido da vida, cada hora acreditando em uma coisa diferente. Mas dessa vez eu tinha certeza. Era isto. Era este momento único, que talvez nunca mais vá se repitir.

    E no meio de todas as variáveis de nosso imenso universo, foi me dado este momento. Ninguém viverá igual, ele é meu, meu tesouro, meu presente. Pensar que eu fui o ser vivo que teve a sorte de vivê-lo me faz acreditar que sou muito sortudo. E aí finalmente concluí: a razão da vida é viver esses momentos únicos do universo. Porque nunca mais é muito tempo.

    Parece que sua festa foi como meu churrasco. Somos dois sortudos, todos os dias.

    Se não nos vermos mais, depois que você viajar em busca de suas esmeraldas, ainda teremos nossos momentos. E aí lembraremos que somos sortudos, e também que toda essa jornada chamada vida faz sentido.

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  3. Lindo texto...e lindas fotos!!!!!!!!!!


    Gi!

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  4. Parabéns!!!!!!
    Voce estava linda e pude ver através do seu olhar o quão feliz vc estava.

    Bjoss e muita sorte.

    Tata

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  5. Oi Nadja ! Obrigada pela visita no blog ! Entao vc está vindo pra Holanda ? Que legal, com certeza será uma grande experiência ! So nao se assuste na aula de holandês, vc acaba aprendendo direitinho, rs ! Bjooo

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  6. Oláaaaa
    Excelente texto Nadja! Como vc escreve bem... sabe passar suas emoções para o papel!! Se te servir de consolo.. eu tbm levei só uma rosa de recordação material.. hehehe!!
    bjossssssss

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  7. Parabéns pela formatura Nadja! Fico muito feliz por vc! Mto sucesso pra vc com o que quer que vc faça!
    Bjos!

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  8. Parabens....agora já é uma mocinha. rs.
    Bjus.

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    Kytanna e Luciana

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  10. Parabéns Caçadora, e que linda essa foto!

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  11. NADJA,

    obrigado, mais uma vez, e desta por SEGUIR o VÍTIMA DA QUINTA!

    Cuidado vc poderá ser a próxima!!!!

    Bjs

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