7 de janeiro de 2009

Um pequeno passeio

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Quase havia perdido a hora. Acordei meio confusa, achando que poderia estar atrasada para meus exames no oftalmologista, em São Paulo. Felizmente, não estava. Mas também não estava animada, nem um pouco.

Morei em São Paulo de março à dezembro de 2004, movimentavá-me basicamente de metrô; carro ou ônibus quando acompanhada de algum familiar ou amigo. Nunca houvera a necessidade de que eu andasse de ônibus em São Paulo sozinha. Até hoje.

Sentei-me na mesa da cozinha segurando o copo de café a minha frente. Fiz menção de levá-lo à boca umas duas ou três vezes. Estômago embrulhado... Não conseguia comer. Kimi, meu gato se sentou sobre meus pés, relaxei um pouco. Não o suficiente. Nunca o suficiente. Levei o copo até a sala onde comecei a fazer minha monografia. Parecia me dar melhor com ela, aquelas palavras jogados no "papel"branco do word começavam a fazer um sentido mairo, uma harmonia com as que vinham seguí-las. Mas era inútil, em um hora eu teria que sair e não poderia continuar a trabalhar na tão temida monografia. E acho que por isso, neste dia não a temi nenhum pouco.

Minha mãe me levou até a rodoviária da cidade. Eu segurava minha bolsa de leve enquanto ela me dava lições de segurança, de clima, perguntando sobre meu casaco, etc. Enquanton esperava por meu ônibus, notei como estava lotada a rodoviária e em sua maioria aquelas pessoas esperavam pelo mesmo ônibus que eu... Bom... um que fizesse o mesmo trajeto que o meu.

A viagem fora mais longa do que o previsto, de uma hora para duas horas !!! mas não me importei, gosto de olhar a paisagem e escutar minhas músicas enquanto meus pensamentos voam.

Mas logo não era mais hora de voar... era hora de enfiar a cabeça no mundo. Ao sair do ônibus, sentia-me diferente, ao mesmo tempo que tinha receio, queria poder ir adiante e além. Senti que tinha muito sorte. E tinha mesmo. Nenhuma fila para comprar passagens de metrô, o que me pareceu bem estranho. Sorri. Quando queremos, tudo vira a nosso favor. Em meu peito, sentia-me feliz novamente, como se eu tivesse nascido para isso... sem "isso"ser algo especifico. Ficava sorrindo e as pessoas a minha volta as vezes olhavam e muitas até sorriam, e neste dia, em nenhuma vi um sorriso malicioso ou desdenhoso, eram sinceros. E eu estava adorando a esperiencia. O metro parecia que estivera me esperando... achei que partiria antes que eu chegasse a ele, e mesmo assim não apressei meu passo. Mas ele me esperou.

E assim que cheguei ao ponto de ônibus, aquele que eu queria passou e a senhora ao meu lado me disse "Eu já estava aqui há meia hora esperando por ele".

Pedi ajuda sem medo às pessoas ao meu redor e uma delas pareceu admirada que me dirigi a ela para perguntar sobre as paradas.Só pude sorrir. Em nenhum momento senti medo de estar sozinha... e pode até parecer besteira, mas realizar tarefas sozinha sempre me tirou o sono, a coragem e a vontade de seguir em frente com os planos. E ao olhar meu próprio reflexo na janela senti uma pontinha de orgulho em saber que eu estava ali, assim como todas aquelas pessoas desconhecidas. Eu não tinha mais medo nenhum.


E acho que isso conta muito, pois segui confiante até o ponto em que eu deveria descer. Lá estava o hotel que sempre foi o meu ponto de referencia... e só neste dia descobri que aquele prédio engraçado, em forma de barco era na realidade um hotel, mas seu nome eu já nào me lembro. O consultório estava vazio, havia apenas uma secretária entediada e sozinha, que sorriu ao me ver entrar. Que susto! Uma sala tão grande, normalmente tào cheia de pacientes, completamente vazia.

Não pude ler o livro que havia levado comigo. Não houve fila. Mas eu ainda o tinha junto de mim, para que em qualquer momento de distração eu pudesse folheá-lo e sentir seu cheirinho. Adoro cheiro de livros, é como uma companhia silenciosa, mas que tem muito a compartilhar. Exames pronto e era hora de voltar para casa. E o caminho de volta parecia ainda mais convidativo, reconfortante. o ônibus vazio contornava o Ibirapuera tive a nítida sensação de ter alguém do meu lado contando histórias. Não podia entender, só sabia que tinha alguém ali e eu orestava atenção na paisagem e no dia. E em quando eu voltaria a viver uma experiencia boa e solitária como essa. Será que só amadureço quando estou completamente sozinha, quando o mundo me obriga a olhá-lo com mais vontade?

Nao sei... s'o sei que morei uns 10 meses em Sao paulo e nunca tive uma experiencia como esta... Morei em sao paulo e nunca cheguei a conhecer a cidade, a ouvir suas historias, porque sei que era ela ali ao meu lado, narrando suas aventuras. Em um unico dia, pude crescer como nao havia naquelas longos dez meses anos atras...

12 comentários:

  1. Nasci e cresci em Sao Paulo, amooo a minha cidade.
    Acho que só lá voce é capaz de viver varias aventuras em apenas um dia,rsrs.

    Bjos
    Tata

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  2. Nao distingo ´lugares` pra esses casos. Em cada lugar temos uma experiência pessoal diferente, e como vc mesma disse, tudo depende de nós...

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  3. Isso de vezQue lindo texto meina... uma poesia

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  4. Espero que vc faça ainda muitas descobertas! Deixar o medo de lado nos faz descobrir tanto, não apenas do mundo, mas de nòs mesmas.

    Beijo!

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  5. Oii!!!
    Que seja o começo de muitas descobertas.
    Se quiser vim a Espanha aqui estou.
    um abraço e um feliz 2009
    Larissa
    P.S eu tb estou me formando agora e penso ser aur pair em NY;)

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  6. Adorei a retribuição da visita.
    Seja bem vinda.
    Bjus.

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  7. Passando para conhecer o Blog...
    Morei em Embu-Guaçu... bem pertinho de Sampa.... faz um tempinho...rsss


    Abraços..
    Gi, Roma

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  8. nadja, obrigada pela visita ;) olha, adoro sao paulo, tive a oportunidade de trabalhar alguns meses (alternados) na cidade...para mim, tudo era festa...andar nos parques, passear na paulista, visitar os museus...nossa, que delicia, andar num domingo pela paulista depois de comprar o jornal ou mesmo uma revista...tomar um cafe gostoso e ir curtir os ares da metropole...nunca morei, mas tenho realmente um carinho especial pela cidade...

    o cheirinho de livros tb me encanta...meu marido foi ao brasil agora e ja encomendei os meus ;)

    bjos e um exelente domingao pra vc!!

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  9. ai q raça é seu gatinho!!
    alias pense sempre coisas boas q elas virão.
    bjins
    eu adoro seu blog!
    e a forma q c escreve vc daria uma otima relaçoes publicas

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  10. ola menina!
    nossa obrigada viu! eu to mesmo alegre pq estou amando e quando agente fica assim parece que o mundo para não é mesmo?!
    obrigada pelo carinho!
    bjins

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