Mökki - o chalé


Para celebrar um mês morando na Finlândia, nada como um fim de semana bem tradicional! Para me dar um pouco mais do gostinho do que é fazer parte desta nova cultura. Já há um tempo minha amiga Tarsila me falava do Mökki. Uma espécie de chalé que algumas famílias finlandesas tem no interior e que gostam de passar os fins de semana e feriados. A própria definição de mökki (cottage/chalé) é uma casinha modesta, normalmente no interior em uma área rural ou semi-rural onde a família/amigos se retiram para passar um tempo tranquilo e próximo da natureza.

O mökki!
O chalé deles fica afastado da cidade ( cidade de Vesilahti) e é cercado por floresta. Descendo a encosta há um lago onde é possível nadar (só precisa de coragem!) ou passear de canoa. Tudo muito bonitinho e bem pensado. Tudo para tornar os dias mais agradáveis e também fáceis por lá. 
Chegamos pouco depois do horário do almoço no sábado. E um pouco antes do jogo da Inglaterra e da Suécia pela Copa do Mundo. 


O chalé é todo de madeira e bem quentinho dentro. Há um lareira que eles usam no inverno e no andar debaixo havia uma sala, uma cozinha e um espaço para uma cama quase escondidinha. Achei tudo um charme. Cada detalhe parecia ter sido pensado para um conforto modesto e tranquilo. Para que quem quer que esteja no chalé possa desfrutar de uns dias sem muitas preocupações. 

Tivemos muita sorte em relação ao clima. Estava um sol maravilhoso e a temperatura agradável. Logo que cheguei já lembrei da minha época de escoteira e de como era me sentir parte da natureza. Pouco abaixo do chalé principal havia uma casinha com uma salinha e uma sauna. E foi ali que na noitinha de sábado cortamos lenha para colocar no fogo da sauna e eu me aventurei com a machadinha como não fazia a anos (no grupo escoteiro). 



Uma das primeiras atividades que fizemos foi jogar um jogo finlandês bem diferente e interessante. Mölkky é uma atividade ao ar livre em que um grupo de pessoas (neste caso nós quatro) se revezam arremessando um cabo grosso e curto de madeira sobre 12 pinos enumerados de 1 a 12.  

Ficamos a uma certa distância dos tacos com os números e devemos arremessar o taco excedente sobre eles. Se apenas um número for derrubado completamente, você obtém os pontos indicados no taco caído. Se eu derrubasse apenas o número 4 por exemplo, acumularia 4 pontos. Se derrubassem mais de 1 taco, meus pontos seriam o número de tacos derrubados. Se eu derrubasse dois tacos, ganharia 2 pontos, mesmo que os tacos fossem o 10 e o 12. 

Caso não acertemos nenhum taco por três jogadas consecutivas, estamos fora do jogo. (E isso aconteceu comigo!) O vencedor é quem chega a 50 pontos primeiro. Mas tem um detalhe! Se passar de 50 pontos, a pessoa retorna a 25 pontos e tem que continuar tentando chegar a 50. 
Os pinos de Mölkky antes de termos colocado na ordem certa! Sim, existe uma ordem certa!
Após alguns arremessos
Sempre que os tacos são derrubados, devemos colocá-los de pé no local onde pararam. E isso significa que conforme o jogo segue, eles vão se afastando e afastando e fica mais difícil acertá-los. As vezes que jogamos, os vencedores foram o Kimmo e a Tarsila. E eu não passeio de 30 e poucos pontos (em uma das vezes nem cheguei a 10 e perdi tendo errado três vezes seguidas.)

O churrasco. Ao final do jogo da Inglaterra contra a Suécia ( e aproveitando a alegria do Daniel que a Inglaterra ganhou) fomos fazer o churrasco finlandês. Carne na grelha, milho também (gostoso, diferente, meio adocicado). Fizemos uma salada com diversos molhos e estava tudo uma delícia. Usamos pratinhos de papel para näo precisarmos lavar mais louça e eles ainda serviram para ir pra fogueira depois.


A casinha da sauna
No sábado a noitinha, após termos feito um churrasco (estilo finlandês), fomos curtir a sauna. Cortei lenha com a Tarsila e ela me ensinou a preparar a casinha. Eu fico sempre me sentindo uma sombra. Vergonha de ir aqui ou ali ou fazer algo que não devo. E acho que esta tem sido minha maior reflexão desde que cheguei. Meu maior esforço.

Os benefícios da sauna são muitos e desde que cheguei, toda semana temos um "dia de sauna", que normalmente acontece nas segundas-feiras aqui em casa. Aqui, as pessoas costumam ir pra sauna sem roupa. Peladonas mesmo. Mas ninguém vê nisso muito problema. Mas claro que não fizemos isso e coloquei meu maiô recém comprado no Brasil (em um de meus últimos voos como comissária para o nordeste) e fui feliz ( e ainda com shorts por cima). É, ainda tenho muito o que aprender. Mas vamos que vamos. 

Levamos nossas bebidas (que não sei como continuaram tão geladinhas e gostosas o tempo todo) e bora pra sauna. Era uma mistura de português (eu e ela), inglês (todos nós) e finlandês (os homens) que ficava até engraçado. 

Nossa lenha em ação!
A sauna ajuda a limpar a pele, aumentar a circulação, abrir as vias aéreas e nasais, aliviar dores musculares, fortalecer o sistema imunológico, melhorar os movimentos articulares e relaxar em épocas de estresse e tensão. Então não é nenhum mistério porque a cultura da sauna é tão importante aqui. Já era final do dia quando fomos e estava começando um friozinho. Nada terrível, mas o sol já tinha ido embora (apesar de claridade continuar) e estava ventando. Fui toda encasacada para a sauna e lá ficamos por um tempo, entrando e saindo para tomar água ou respirar um ar fresco. E a cada vez que saía sentia o frio da mudança de início e ele logo ía embora. Todo meu frio ía embora e eu podia sentir aquele vento gostoso no corpo sem nenhum problema. 

Também acho que entendo porque eles preferem ir pelados pra sauna... ao sair da sauna e sentir como meu corpo havia se adaptado ao frio, o short que eu estava usando passou a me congelar! Era só eu me mexer que sentia o gelo que ele estava pelo contato com o ar de fora!!! 

De dentro da "oca" da fogueira

O deck

A gente!


Outra atividade que fizemos durante o dia foi colher frutinhas (mirtilos e morangos). E quantos tinham por toda a área. São pequenininhos e deliciosos e crescem em todos os lugares. São mirtilos e morangos selvagens, então são pequenininhos e achei até mais doces que os que estava acostumada. 


Pouco antes de irmos dormir, retornamos à cabaninha em frente ao lago e acendemos uma fogueira onde tostamos salsichas e pães. Me senti escoteira novamente, sentada em volta da fogueira, assando salsicha e olhando a natureza a nosso redor. A Finlândia em si já me parece um refúgio do estresse e da correria e o Mökki é ainda mais um local de relaxamento, tranquilidade em família e até mesmo reflexão. Ao menos para mim. 



Comentários

  1. Vc deveria escrever mais vezes . Como é gostoso ler seus textos. E não falo isso pq sou sua mãe, mas os amigos me procuram para a elogiar . Até a Ana Célia fez questão de ligar de Salvador para a elogiar. A gente se sente na Finlândia com vc, aprendendo um pouquinho de cada coisa. ...menos da língua. Kkkkkkk. ...

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