17 de outubro de 2012

Fazendo o Match

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Foto: Achada no Google
Desde que comecei a fazer freelance para a Huisje Boompje Nanny (ou HBN) falo muito com as futuras au pairs e sempre procuro dar sugestões de como escolher família, de como ela podem se precaver ao máximo e evitar problemas futuros e até meios de lidar com problemas caso eles apareçam.

Percebi que pouco falei do meu processo. Das dificuldades que realmente passei por não ter levado em conta as minhas próprias dicas. Por ter aceitado muitas respostas sem averiguar se minha rotina, meus benefícios seriam mesmo aqueles que foram prometidos. E principalmente por ter feito todas as negociações com um só Host ( o Host Father) e não com os dois como deveria ter sido, já que eu moraria e viveria com os dois.
Encontrei a família pelo Au Pair World, ou APW como a maioria de nós se refere a ele. Na época eu ainda não havia escolhido o país para o qual eu iria e o que exatamente eu esperava do meu ano como au pair. Era novembro de 2007. Eu sempre gostei de bebês e sempre tive facilidade para lidar com crianças pequenas, mas mantive contato com diversas famílias com crianças de todas as idades também. A Família Nouwens era composta pelos país e seus três filhos: Iris, então com 6 anos (na primeira vez que conversamos), Luna, com 4 anos e Morris com 1 aninho. Todos uma graça. Conversamos bastante e eu logo gostei deles. Eu também havia dito que não poderia ir em 2008, que só embarcaria em 2009, então eles arrumaram uma outra au pair para o ano seguinte.
Eu pretendia tirar o ano 2008 para esclarecer todas as dúvidas e descobrir se esta era a família certa para mim. Mas cometi um grande erro, logo de cara falamos em MATCH e mesmo fazendo as perguntas que eu queria e avaliando se seria uma boa decisão da minha parte ser a au pair desta família, eu já não me sentia no direito de dizer a eles que gostaria de conversar com outras famílias. Eu já me sentia mal por até pensar em desfazer o MATCH depois deles terem investido tanto tempo em mim.

Fiz uma lista de perguntas, mas já achava que não haveria nem porque de fazê-las mais, afinal o MATCH eu já tinha. Mas e aí? E a adaptação e conhecer a família e saber se realmente tinhamos um perfil semelhante? Nada disso rolou comigo. O Host Father logo me colocou em contato com suas au pairs, que tinham realmente muitas regalias e uma vida muito divertida na Holanda. E eu estava , logicamente, empolgada. Até presente de aniversário eu recebi pelo correio! Claro... hoje em dia posso perceber as táticas para conquistar uma menina deslumbrada com a possibilidade de ser au pair no exterior e se unir à família perfeita. Mas infelizmente nenhuma família o é.
Respostas que deveriam ter soado um alarme em minha cabeça:

- Eles não tinham uma rotina diária nem schedule. Não sabiam o tanto de horas que eu trabalharia e nem que horas começaria o dia ou o terminaria. Disseram também que eram flexíveis às minhas necessidades e que seria mesmo como uma família...

Não caia nisso! Família sem rotina significa que você não tem horário fixo de trabalho, o que também significa que pode trabalhar a qualquer hora, ou a toda hora!!! Também significa menos delimitação entre o que é seu espaço/tempo privado e o que é destinado ao trabalho. Se você já fica confusa... imagine sua Family... podendo contar com você 24hs por dia, 7 dias por semana...

-Falavam mais sobre o país e sobre o que eu poderia ver do que sobre as crianças. 

Isso já é óbvio. Eu já havia conhecido as kids pela skype, mas pouco sabia sobre seus temperamentos, seus gostos e o que gostavam de fazer. Eu pressionava, mas as respostas eram evasivas. Queria poder me preparar com jogos, brincadeiras e outras coisas para ganhá-los, mas sem o apoio dos pais sobre quem realmente eram as crianças, ficava difícil.

-Umas das kids tomava remédio diário e eu não fui informada.

Também não pensei em perguntar, não imaginava que haveria uma situação assim. Mas havia. Como já comentei, minha menina mais velha tomava um remédio forte e diário e eu nunca havia sido informada de sua importância ou condição. É sim importante perguntar se as crianças tomam remédio ou se tem alguma condição especial de saúde, como asma, dislexia, hiperatividade ou qualquer outra coisa que requeira alguma atenção especial sua.

- A au pair anterior dirigia para todos os cantos e levava as kids de carro aos seus destinos. Meu Host Father havia me dito que eu não precisaria de carro. Como assim???

Quando eu disse que não gostaria de dirigir porque tinha medo, meu Host Father me assegurou que eu não precisaria do carro para nada. Disse que se eu quisesse poderia usá-lo, que ele me encorajaria e que eu iria voltar craque na direção. A verdade era que dirigir era uma condição primordial da Host Mom e meu Host Father falou a ela que eu dirigia e que logo pegaria o jeito da Holanda. Confusão formada!

-A família estava para mudar de casa, o pai iria mudar de emprego em breve e ninguém falou/ pensou nas novas necessidades da família.

Toda mudança gera uma transformação grande em qualquer família. Mesmo que momentâneas, as necessidades daquela família pode mudar e você terá de se adaptar a elas. Meu Host father sempre me contava sobre o que a Au Pair#2 (eu fui a três) fazia, o que precisava fazer e o que se esperava que ela fizesse. E quando eu entrei para a família, tudo estava mudando e as necessidades deles haviam mudado também. Havia agora um pai a menos na casa por alguns dias na semana, o que acarretava mais trabalho para mim e para a Host Mom. Como antes ele trabalhava em casa, ele se dispunha a ficar com as kids para que sua au pair viajasse um dia ou outro a mais e quando eu cheguei isso não seria mais possível.

Mas nada disso me foi dito. A idéia vendida foi a mesma que a vivida pela Au pair#2... mas eu sou uma outra au pair... nova, numa realidade em constante mudança... mudança de cidade, emprego do Host, mudança de escola e acho que eles nem pararam para pensar que o que eles precisavam de uma au pair também mudaria. Então... cabe a você perguntar a eles sobre a rotina e se tem planos para alguma mudança seja ela de ambiente, de escola das kids, de casa, de emprego, divórcio, perda de um familiar ou bichinho de estimação. Tudo influencia!!!

Minha Host Mom era bem mais rígida e por mais que tenhamos nos dado super bem após um tempo, o começo foi sofrido. Para nós duas. Eu me colocava no lugar dela com frequência... após constatarmos o que havia sido prometido a mim e o que era a realidade da família (especialmente o lance de dirigir), a Host; que não queria se envolver no processo de seleção de au pairs; sentia-se num beco sem saída. Ela precisa de uma au pair que cozinhasse bem e dirigisse e além de eu não fazer nenhum dos dois, o marido dela havia combinado comigo que eu não precisaria de nada disso. (E logicamente eu tinha mil e-mails para comprovar).

Ela não queria me mandar embora pois considera que estaria sendo injusta comigo. E brigava sério com o marido, chegando a pensar em divórcio. Era honesta comigo, e creio eu que sentia-se mal por não ter participado dos e-mails, chats e tudo mais que me envolvia, sua futura au pair. Também sei que nem ela imaginava que as coisas mudariam tanto... Acabamos conversando sério, chorando e reesquematizando toda minah rotina.

Incluí onibus, bikes e até aulas de direção (aiii como são caras). Ela me ligava ao sair do trabalho e me orientava ao que poderia fazer de jantar. E eu fazia, quando ela chegava já estava quase pronto e então terminávamos juntas e colocávamos a mesa, normalmente ajudadas por uma das meninas.Passei a ajudar mais no trabalho de casa e também a aprender mais com ela... que teve que ter paciência comigo (uma coisa que ela não queria no começo era ensinar ninguém... mas tentou).

Hoje eu sinto falta dela e creio que ela também deve sentir. Mas também sei hoje que eu seria muito diferente se estivesse lá agora... mais madura, mais preparada (e dirigindo bem e confiante também!!!).

Quando eu voltar... acho que eles nem vão mais me reconhecer ;)

14 comentários:

  1. Muito bom esse post Nadja!
    Acho que ser/estar bem orienta é o mais importante. Não adiante de nada se deixar levar pela primeira família "legal" que aparece só porque "oh meu Deus e se eu não encontrar mais nenhum?". Logico que se adaptar as diferenças também é um passo importante mais a gente precisa sim ter uma ideia do que a gente quer e espera.

    Beijos

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    1. Nem me fale!!! E eu conversei com várias famílias antes de fazer meu match. A maioria na Alemanha... mas o schedule era tão corretinho, cheio de detalhes que eu assustava!!! hahaha

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  2. concordo com vc, a cada tópico lido fiquei lembrando se perguntei sobre hahahaha a gente fica até com medo de não ter perguntado tudo, sei lá! e tbm fico meio assim com a idéia de ter que dizer não depois de já ter trocado tantas informações, mas to tentando enfiar na minha mente que isso é necessário em prol de um ano lindo na holandinha rs
    ótimo post!
    bjos

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    1. Exatamente. Mas antes de ir a gente nunca sabe o que realmente vai precisar, então fica dificil perguntar tudo né?

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  3. Estas suas dicas e conselhos valem ouro. Eu tive duas colegas que foram au pair, uma teve sorte, foi para uma excelente família, passeou, curtiu muito a experiência mas a outra, coitada, foi totalmente o oposto, tanto que abandonou o barco antes do combinado porque foi feia a coisa pro lado dela. Tem que ver tudo antes sim, porque você não vai fazer um favor em troca de outro. É bom ter tudo definido mesmo antes de ir e mesmo assim, ainda há pequenas concessões no percurso, com certeza. Bjs

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    1. Algumas meninas não tem sorte mesmo... aí viver um ano num ambiente ruim não dá... :/

      Hoje eu pesquiso muito mais a fundo tudo!

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  4. Ameeeeeei, processo complicado mais com um bom final

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  5. Ah eu falo feliz que eu consegui uma família perfeita. Fiquei com eles por 8 meses e até hoje mantenho contato. Nao vou nem falar todas as regalias mas a vida lá parecia de filme (quando o mais novo nao chorava sem motivo rs)

    Eu li ali no fim que eles nao te reconhecerao quando vc voltar, tu volta pra Holanda, é? Quando? Conta mais!!

    Beijao!!

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    1. Assim que é bom... a família e a au pair, ambos tem que estar com espírito aberto para esse tipo de programa, que é um intercambio cultural :))))

      Eu devo voltar ano que vem à Holanda, to torcendo para dar certo!!!!

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  6. Muito bom Nadja seu post,concordo plenamente com voce de que qualquer mudanca mesmo que pequena afeta a nossa vida de alguma forma,que bom que voce conseguiu contornar a situacao porque realmente nao 'e facil lhe dar com tudo que voce citou acima,essas dicas vao servir para muitas pessoas seguir.

    Ah obrigada pelos comentarios la no blog,eu vi em um post do blog que voce pediu para eu postar fotos de Manaus,vou olhar entre minhas fotos e assim que puder eu posto :)

    Bjs :* :*

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    1. Que bom que você curtiu o post. Demorei muito para elaborá-lo... não porque era difícil, mas porque não sabia exatemente quais coisas seriam úteis e como tornar o texto de fácil acompanhamento hehehe!!!

      beijos e obrigada por sempre acompanhar o blog. eu adoro o seu!

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  7. Altos post! Muito útil Nadja.. Comentasse sobre detalhes que não pensamos em perguntar na hora da entrevista, vou deixar teu blog aberto nessa postagem quando estiver no skype com a familia pra não esquecer de nada! hahaha

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